ACCIDENT MAN (2018) | REVIEW

É sempre bom ficar com o pé atrás com esses filmecos de ação que saem direto em DVD ou streaming. Mesmo estrelados por grandes astros, como um O ALVO 2, com Scott Adkins, KILL’EM ALL, com o Van Damme ou o trabalho atual de Steven Seagal, há sempre grande chance de se decepcionar…

Felizmente, ACCIDENT MAN não pode ser usado como exemplo disso. Longe de ser mais um veículo genérico, o filme é o projeto dos sonhos de Scott Adkins, que produziu e ajudou a escrever o roteiro, o que dá à produção personalidade e um vigor cada vez mais raro nessas produções de ação DTV.

ACCIDENT MAN é baseado na HQ de mesmo nome criada pelo britânico Pat Mills, publicada na revista britânica Toxic! no início dos anos 90. Um cruzamento entre JOHN WICK com os filmes do Guy Ritchie e Matthew Vaughn, trata-se de um dos mais divertidos trabalhos recentes de Adkins, que parece ter nascido para interpretar o papel do assassino profissional Mike Fallon, conhecido pelos seus colegas de profissão como “Accident Man“, que realiza seu trabalho fazendo parecer que suas vítimas morreram por acidente ou suicídio. O sujeito faz parte de uma organização secreta de assassinos, com direito a um pub, chamado Oasis, onde os matadores se reúnem para beber e receber novos trabalhos, uma espécie do Continental, de JOHN WICK, mas com menos pompa e mais cerveja.

O local é administrado pelo assassino aposentado “Big Ray” (Ray Stevenson) e entre os “clientes” encontramos uma galeria de matadores com suas características próprias e peculiaridades bem desenvolvidas. Temos um especialista em venenos; um brutamontes que estraçalha suas vítimas com um machado; uma loura mestre samurai e por aí vai. Há ainda o Michael J. White e Ray Park (o eterno Darth Maul, de STAR WARS: A AMEAÇA FANTASMA) fazendo um casal gay, ex-Forças Especiais, que resolveram entrar no ramo de eliminar pessoas. A trama se desenrola quando Beth, a ex-namorada de Fallon, uma ativista ambientalista que andou mexendo com quem não deve, é assassinada e Fallon começa a desconfiar que sua morte foi um trabalho realizado por alguém de dentro de sua organização. Ele acaba descobrindo uma conspiração envolvendo uma poderosa companhia de petróleo, cujas negociações ilegais Beth estava prestes a expor, e a organização secreta de assassinos. Agora Fallon quer vingança e para chegar aos responsáveis pela morte de Beth terá que encarar seus colegas de profissão.

Dirigido pelo veterano do cinema de ação DTV, Jesse V. Johnson (que recentemente fez SAVAGE DOG em parceria com Adkins), ACCIDENT MAN trabalha uma mitologia do mundo dos matadores profissionais que não deixa nada a dever a um JOHN WICK, a referência mais óbvia que vem à mente, mas possui seu próprio frescor, com um humor negro tipicamente britânico, diálogos bem escritos e afiados, personagens carismáticos e, claro, sequências de ação incríveis, como é de se esperar em um filme com Adkins. Destaque para a longa pancadaria de Adkins contra Jai White & Ray Park juntos, que é de tirar o fôlego.

ACCIDENT MAN é um típico exemplo do cinema de ação direct to video de grande estilo, como muitos que tínhamos há pouco menos de dez anos, quando surgiram alguns dos grandes filmes DTV e que aos poucos foram diminuindo de qualidade e quantidade. Todo ano temos ainda um ou outro que se destaca, mas nada como a safra 2008-2012. ACCIDENT MAN é extremamente divertido e se aproxima muito dessa fase. Um filme ágil, com personagens memoráveis ​​e ação/pancadaria das boas.

O diretor Jesse V. Johnson e Scott Adkins retornam, provavelmente ainda este ano, com TRIPLE THREAT, que possui um elenco dos mais espetaculares do cinema de ação atual: Tony Jaa, Iko Uwais, Michael Jai White de novo… Para aguardar de joelhos!

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