AL CAPONE (1959) | REVIEW

AL CAPONE começa com o jovem personagem título chegando a Chicago, em 1919. O filme abre num longo plano sequência que apresenta o sujeito de modo magistral. A câmera se movimenta e passeia pela vastidão de um bar, entre figurantes bêbados, garçonetes, mesas e balcão, até que adentra no recinto Rod Steiger na pele do famigerado gangster, com o nome do filme preenchendo a tela, enquanto o plano continua por um bom tempo. Poderia durar até mais, poderia durar para sempre; desses momentos que provam que não estamos diante de um filme qualquer. Há, no mínimo, personalidade por parte dos realizadores de AL CAPONE.

Richard Wilson é o nome do diretor. Richard quem? Sim, um talento subestimado e desconhecido. Foi assistente de Orson Welles em CIDADÃO KANE e SOBERBA, dirigiu uma dezena de filmes, mas nunca teve o merecido reconhecimento, o que é uma pena, porque o sujeito tem bons trabalhos no curto currículo, como ARMADO ATÉ OS DENTES, CONVITE A UM PISTOLEIRO, PAGA OU MORRE e obviamente este aqui, que é cheio de detalhes e sacadas visuais, como a da abertura, que enriquece ainda mais a experiência.

Voltando, Al Capone chega ao local para trabalhar como guarda-costas para Johnny Torrio, um mafioso que age sob a batuta do seu tio, um velho capo de influência política, Big Jim Colosimo. O velho, com a administração de Johnny, dirige vários clubes onde jogo e prostituição rolam soltos. Quando a Proibição de álcool chega em 1920, Johnny e Big Jim entram para o contrabando de inebriantes e ficam ricos. Quando Big Jim se recusa a fazer um acordo com os líderes de outras gangues para decidir os direitos de distribuição de bebidas alcoólicas em Chicago, é Capone quem convence Johnny a esquecer os laços familiares e a tomar uma decisão, “puramente comercial”, de permitir que ele execute Big Jim.

O filme também tenta explorar outras facetas mais pessoais de Capone. Durante a execução de Big Jim, por exemplo, seus capangas matam um dos criados do velho mafioso. O sujeito era casado e deixou Maureen (Fay Spain) viúva. E Capone fica obcecado pela mulher. Depois de insistir um bocado e convencer que ele não teve nada a ver com a morte do seu marido, ela acaba caindo em seus braços. É a parte frágil do filme, tudo soa muito forçado nessa tentativa de criar um romance, mas que não funciona nada bem. Não é nenhuma surpresa notar que essa situação é a parte, digamos, mais ficcional da trama. Destoa um bocado do resto, num filme que, no geral, tenta fazer uma crônica bem fiel e realista do gangster.

Da ascensão ao poder, o filme debruça de maneira quase didática nos bastidores da máfia de Chicago. A escalada de Capone é árdua e muito sangue precisa rolar, e o filme mostra com precisão a maneira como o sujeito se posiciona na organização, como lida com os políticos e policiais corruptos de Chicago em sua folha de pagamento, até mesmo um repórter cara de pau, vivido pelo grande Martin Balsam, que lhe ajuda a ter acesso e a se relacionar com os políticos. Há também inúmeras guerras de gangues, rivais na organização do crime. Incluindo um dos grandes momentos dessa jornada, a recriação do famigerado Massacre do Dia dos Namorados, em que à mando de Capone, uma boa parcela de uma das gangues inimigas é eliminada.

Depois vem a queda, na representação do maior inimigo de Capone, que não é Eliot Ness por aqui, mas o policial honesto Schaefer (James Gregory, que também é o narrador da fita), obcecado por colocar o Capone atrás das grades. Schaefer junto com os federais conseguem pegar Capone por evasão fiscal. Servindo sete anos em Alcatraz, o gângster acaba sucumbindo e morre de sífilis pouco tempo depois de deixar a prisão.

AL CAPONE é um filme de atores. No caso, filme de um ator, Rod Steiger, que dá uma aula de performance e presença física ao desenvolver a personalidade ácida, violenta e efusiva de Al Capone. E méritos também para Wilson por deixar Steiger solto para trabalhar seu desempenho. Ao longo dos anos, tivemos outras representações da figura do criminoso, algumas brilhantes como em CAPONE (75), com Ben Gazzara no papel principal, ou Robert De Niro em OS INTOCÁVEIS. AL CAPONE pode não ser o melhor filme com a presença da figura, mas Steiger certamente é quem fez o melhor retrato em película do famoso mafioso de Chicago.

AL CAPONE está disponível no Brasil em DVD pela Classicline e pode ser adquirido nas melhores lojas do ramo.

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1 Comentário

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  • Roninho! Parabéns pelo blog! Sempre dou uma olhada, eu queria saber tanto de filme como vc! Rs. Ontem vi Blade Runner 2049 e achei demais, n sei pq lembreinde vc, parece coisa sua, nao sei se por conta da vibe do primeiro filme! Hahahhaa N sei se e o seu gosto, mas sei que concordamos no Mad Max no topo em 2015 hahahahha. Vovó ta aqui parabenizando pelos lindos desenhos (mostrei o tumblr) e perguntando se vc lembra o que ela te falava sobre desenhos pra vc em domingos martins… hahahah. Abs e sucesso!