O ALERTA VERMELHO (La Sirène Rouge, 2002) | REVIEW

Dirigido pelo francês Olivier Megaton, O ALERTA VERMELHO é uma adaptação do thriller policial “A Sereia vermelha”, de Maurice G. Dantec  (“Operação Babilônia”), publicado no Brasil pela Editora Objetiva. Como seu conterrâneo Luc Besson, Megaton é um especialista em filmes movidos a adrenalina, tendo em sua filmografia CARGA EXPLOSIVA 3 e COLOMBIANA – EM BUSCA DE VINGANÇA. Escrito e publicado no início doas anos 90, “A Sereia Vermelha” foi o livro de estréia de Maurice Dantec e o sucesso o alçou como um dos grandes autores de ficção popular. Fugindo do convencional, as tramas dos livros de Dantec são marcadas por reflexões filosóficas – geralmente pessimistas – sobre o mundo contemporâneo, mas o roteiro adaptado a oito mãos (incluindo pelo próprio Olivier Megaton) preferiu se concentrar no ritmo vertiginoso do livro, dando destaque as sequências de suspense e ação em detrimento dos personagens.

Investigando o desaparecimento de sua babá, Alice (Alexandra Negrão), uma menina de 12 anos, descobre que a sua mãe, a rica e poderosa mulher de negócios Eva K. (Frances Barber), é uma assassina envolvida na produção de snuff movies. Completamente apavorada, Alice foge de casa e entrega um CD contendo provas contra a mãe para a detetive Anita (Asia Argento, de TRIPLO X), da polícia de Paris. Mesmo em posse de um filme sádico mostrando a tortura e o assassinato de uma jovem, a polícia não é páreo para os advogados e as conexões políticas de Eva. Sabendo que as autoridades não poderão protegê-la, Alice foge outra vez e esbarra acidentalmente em Hugo (Jean-Marc Barr, de IMENSIDÃO AZUL), soldado de uma organização paramilitar conhecida como Liberty Bells. Testemunha ocular do pior que a humanidade pode produzir, Hugo não resiste em proteger a menina e reuni-la com o pai que está vivendo escondido em Portugal. Hugo e Alice pegam a estrada tendo em seu encalço a polícia e um esquadrão de assassinos liderados por uma mulher diabólica que não está disposta a abrir mão de sua “propriedade”.

A trama é interessante, mas com um roteiro raso em mãos e um diretor limitado como Megaton, coube ao elenco tirar leite de pedra. O ator Jean-Marc Barr, mais acostumado com papéis dramáticos, até convence como herói durão. Asia Argento consegue passar credibilidade no papel da idealista detetive Anita. A mais prejudicada é a vilã doentia interpretada por Frances Barber, que possivelmente foi inspirada no mito da louca Condessa Elizabeth Bathory. No livro, Eva K. é um personagem bem mais delineado, enquanto no filme ficou completamente unidimensional, mais parecendo uma bruxa de contos de fada. A jovem atriz portuguesa Alexandra Negrão é bem fraquinha e sua atuação medíocre dificulta um pouco a empatia por sua personagem.

Quanto as cenas de ação, há duas em O ALERTA VERMELHO que valem o filme todo. A primeira envolve um longo e sangrento tiroteio em um corredor de hotel enquanto a segunda é uma brutal luta corpo a corpo, filmadas e editadas de forma frenética, uma marca registrada do cinema de Olivier Megaton. A minha dica é curtir O ALERTA VERMELHO como entretenimento acima da média e garimpar o ótimo livro nos sebos.

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