REVIEW: ALTITUDE (2017)

ALTITUDE é mais um daquelas produções discretas, que possui um orçamento risível, prazos apertados para filmagens, um roteiro que não preza por originalidade, efeitos em CGI toscos e cheio de situações absurdas que, levados à sério, pode causar uma úlcera no estômago. No entanto, convenhamos, qualquer filme que tenha Dolph Lundgren pilotando um avião sequestrado através de uma tempestade à noite ao som de Cavalgada das Valquírias, de Wagner, certamente merece um mínimo de atenção.

E é nesses pequenos momentos que o filme me ganhou. Como no início, quando conhecemos a agente Gretchen Blair (Denise Richards), fazendo seu trabalho, uma negociação de reféns, mas que termina de um jeito não muito agradável para seus superiores e cujo resultado é a sua suspensão. Mas a sequência inicial começa com uma boa sacada. Vemos um sujeito num escritório ao celular, conversando uma mulher, num diálogo ambíguo que a princípio dá a impressão de estar numa paquera que conhecera num Tinder da vida. O diretor Alex Merkin segura as coisas nessa ambivalência até que o homem pega uma metralhadora em cima da mesa e a câmera revela que ele mantém um grupo de pessoas como refém. Simples, prático, faz perceber que ALTITUDE não é apenas uma porcaria barata. É uma porcaria barata com personalidade…

Bom, Blair acaba tendo que ir trabalhar atrás de uma mesa num escritório em Washington. Durante o vôo para a capital americana, um grupo de assaltante de alto nível encontra-se a bordo, perseguindo um sujeito chamado Terry (Kirk Barker), que os traiu e fugiu com algo bastante valioso. Agora, os meliantes, liderados por uma moça chamada Sadie (Greer Grammer) e piloto Sharpe (Lundgren), assumem o avião para recuperar o que Terry lhes roubou. E, obviamente, sobra para Denise Richards encarnar um Wesley Snipes em PASSAGEIRO 57 e tentar detê-los.

altitude

ALTITUDE é um thriller que se prende muito bem às convenções do gênero “filme de sequestro de avião”, como o recente NON-STOP, FORÇA AÉREA 1, o já citado PASSAGEIRO 57, mas que quebra um bocado os padrões, colocando uma mulher no papel que, digamos, um Steven Seagal faria. E a escolha da Denise Richards é curiosa. Achava ela uma gracinha em TROPAS ESTELARES, do Paul Verhoeven, mas nunca pensei que fosse vê-la tentando pagar de badass. Até que ela se esforça para ser convincente como uma veterana agente em ALTITUDE, apesar de já não possuir metade da beleza que tinha nos anos 90. Claro, o tempo pode ser cruel, mas poderia fazer uma extensa lista de atrizes que ficaram ainda mais bonitas na casa dos quarenta do que eram na casa dos vinte. Não é o caso da Richards. Mas isso não quer dizer muita coisa num filme que dificilmente se leva a sério, que se diverte com os próprios clichês do gênero e propositalmente tentando ser a coisa absurda que é, especialmente o final, que tá mais para um filme do Austin Powers do que um James Bond.

O maior equívoco, infelizmente, é ter colocado o velho Dolph literalmente afivelado no assento do piloto na maior parte do filme e deixar que sua participação seja quase completamente desperdiçada. O filme conta ainda com a presença do ex-lutador de MMA, Chuck Liddell, como capanga dos sequestradores.

Filmes como ALTITUDE não são fáceis de engolir para quem não está acostumado com certas tralhas. Merecem menos exigência por seus baixos orçamentos e o curto tempo de filmagem. Mas para o que é, ALTITUDE não deixa de ter interesse, algumas boas ideias, além de ser apenas 88 minutos que passam voando. Dá pra se divertir um pouquinho…

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