ASES DO GATILHO (1954) | REVIEW

William Castle passou grande parte de sua carreira na Columbia Pictures. Ele realizou filmes ‘B’ para o estúdio muitos anos antes de ganhar fama como o realizador de filmes de horror e suspense como A CASA DOS MAUS ESPÍRITOS (House on Haunted Hill, 1959), FORÇA DIABÓLICA (The Tingler, 1959) e A MÁSCARA DO HORROR (Mr. Sardonicus, 1961). Com apenas 29 anos de idade, o diretor lançou SENDAS TORTUOSAS (The Chance of a Lifetime, 1943), seu 1o. filme para a Columbia.

A partir de 1945, o produtor Sam Katzman saiu da rival Monogram e foi contratado pela Columbia, passando a chefiar essa unidade ‘B’ de um estúdio que cresceu como vemos hoje justamente por ter se especializado nesse tipo de programa. Katzman foi o responsável pelos dois seriados do Superman (“Superman”, 1948 e “Superman vs. O Homem Atômico, 1950), BATMAN E ROBIN (sequência do seriado de 1943) e os 16 filmes do personagem Jim das Selvas estrelados por Johnny Weissmuller, que fizeram a alegria da garotada e das bilheterias.

ASES DO GATILHO foi um dos vários faroestes a cores que William Castle realizou para Katzman e a Columbia nos anos 50 , uma década sem igual para o gênero. A filmagem, finalização e lançamento desses legítimos filmes ‘B’ eram muito rápidas, com direito a se fazer de tudo para oferecer mais valor de produção por menos orçamento, inclusive usar imagens de arquivo e de outras longas (o que é algo que já acontece na montagem pós-créditos iniciais deste filme). Em 1954, Castle dirigiu esse e mais outros 7 de um total de 13 títulos produzidos por Katzman.

O filme apresenta três personagens reais do Velho Oeste americano – Bat Masterson (George Montgomery), Wyatt Earp (Bruce Cowling) e o inimigo mortal de Masterson, Doc Holliday (James Griffith) – em uma história completamente fictícia. Juntos, eles lutarão em defesa da vida do pacificador Amos Merrick (John Maxwell), vítima de uma armação do poderoso rancheiro Charlie Fry (William Henry) e seus homens. Amy (Nancy Gates), a filha de Merrick, se unirá ao famoso trio de lendas do Oeste na busca por justiça.

James Griffith rouba fácil o filme para si como Doc Holliday. O roteiro de Douglas Hayes também ajuda a esse talentoso ‘character actor’, dando a ele uma oportunidade de brilhar em cena. Esse que vos escreve arrisca dizer que essa é uma das melhores perfomances de um ator na pele do histórico personagem. William Henry consegue se destacar mesmo na pele de um vilão dos mais típicos, sempre sarcástico e inescrupuloso e o astro B George Montgomery segue caminho parecido, se saindo bem como o herói justo e sem qualquer indício de defeitos morais. Ou seja, nada complicado para um ator como ele. Já o Wyatt Earp de Bruce Cowling é tão apagado quanto o Gasparzinho.

Mas o fato é que ASES DO GATILHO revela-se melhor do que merecia ser. Não são poucos os momentos em que Castle e o diretor de fotografia Henry Freulich nos entregam algumas belas imagens e composições inspiradas, algo meio inconcebível com o ritmo de produção que eles tinham aqui. Castle só fica a dever nas cenas de ação em si, com tiroteios muito simplórios, sem muito empenho ou algo que o faça se diferenciar de qualquer outro diretor que batia o cartão nos estúdios. A conclusão também é um pouco apressada demais, mas é bom lembrar que estamos falando de um filme de apenas 73 minutos feito a jato para preencher o espaço ‘B’ na programação dos cinemas da época.

ASES DO GATILHO é pura diversão familiar e escapista que pode ser assistida com prazer em uma preguiçosa manhã de sábado ou de domingo. A excelente cópia lançada pela Classicline em DVD oferece o longa em sua janela correta, valorizando a fotografia original com áudio em inglês e legendas, assim como a antiga dublagem brasileira, remasterizada, para o deleite dos fãs nostálgicos e colecionadores. As imagens utilizadas na resenha foram capturas a partir deste DVD.

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