Dissecando FLORENTINE – Parte 12: OPERAÇÃO SOFIA (2012)

Após o auge, o óbvio declínio. É assim que sinto a carreira de Isaac Florentine pós-UNDISPUTED III, provavelmente sua obra-prima. Temos, evidente, alguns filmes divertidos, NINJA II, CLOSE RANGE e ACTS OF VENGEANCE, para ser mais exato, todos com sequências de ação de cair o queixo, mas num modo geral sem a alma e o vigor de suas obras anteriores. Tudo começou aqui, em OPERAÇÃO SOFIA, que se não é a porcaria que muitos julgaram na época do lançamento, definitivamente é o trabalho menos inspirado de Florentine.

O filme é um thriller psicológico envolvendo um detetive americano (interpretado por Christian Slater) que trabalha na Bulgária, em parceria com a embaixada americana local, num caso envolvendo uma série de assassinatos praticados por uma vigilante, enquanto simultaneamente tenta lidar com o trauma de ter perdido a esposa há alguns anos, especialmente depois de conhecer uma dançarina exótica por quem se apaixona. A trama também é centrada numa moça (Elika Portnoy), que perdeu os pais na infância devido a um atentado terrorista e que sofre de… múltiplas personalidades…

Um dos principais problemas de OPERAÇÃO SOFIA é o roteiro que tem como elemento frágil a situação psicológica dessa moça, que é toscamente trabalhado e muito mal resolvida. E isso toma uns 80% do filme… Apoiado em clichês e com vários personagens sem graça, o resultado é bem fraco e muito previsível. É também o tipo de filme que exigia mais finesse na direção, ajudaria a tampar uns buracos e a trabalhar certas questões um diretor mais talentoso na parte dramática, o que não é bem a praia de Florentine, que realiza uma obra mais focada no trauma psicológico de Elika e na situação depressiva/amorosa do personagem de Slater.

O que salva OPERAÇÃO SOFIA, no entanto, são as poucas sequências de ação. Ao longo do tempo, assistindo a cada filme do diretor, percebe-se que Florentine lida melhor com roteiros que seguem uma linha reta mais direta de ação, sem rodeios, sem tramas complexas e histórias paralelas, o negócio do homem é fazer a história andar de uma cena de pancadaria à outra e exigir de Florentine um trabalho de dramaturgia mais elaborado não é justo. É claro que a possibilidade de trabalhar com alguns atores gabaritados ajuda um bocado a manter um certo interesse na coisa toda. E além de Slater, temos Donald Sutherland, como embaixador americano, e o britânico Timothy Spall.

Uma curiosidade é que OPERAÇÃO SOFIA foi gravado sob o título original de SOFIA (mas acabou sendo lançado lá fora como ASSASSIN’S BULLET), que faz referência à capital da Bulgária, meca da industria do cinema de ação direct to video. Local que, por ter uma carga de impostos baratos para este tipo de atividade, acabou se tornando ao longo dos anos um refúgio de produções menos abastadas do gênero, mesmo que, geralmente, a cidade seja utilizada para contar histórias que se passem nos Estados Unidos… O próprio Florentine tem o costume de usar o local. OPERAÇÃO SOFIA se passa mesmo em Sofia, e tem, ao menos, o diferencial de deixar a Bulgária ser a Bulgária pelo menos uma vez na vida…

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