Dissecando FLORENTINE – Parte 14: CLOSE RANGE (2015)

CLOSE RANGE, a sétima e, por enquanto, última parceria entre o diretor Isaac Florentine e o ator Scott Adkins, é macado por ser mais um frenético e sólido estudo de gênero do que algo com substância narrativa. Um projeto que pode até ser simplista e clichezão na sua construção, com personagens genéricos em situações genéricas. Mas que em seguida é transformado em espetáculo de ação dos mais deflagradores, com sequências de pancadaria e tiroteios com o que há de mais alto nível em termos de ação atualmente.

A melhor síntese deste estudo é logo no início do filme. CLOSE RANGE começa de maneira brutal, com Colton MacReady (Adkins) invadindo um edifício abarrotado de membros do cartel e, num único plano sequência, o sujeito destroça dezenas de capangas, num trabalho de coreografia de encher os olhos e uma câmera ágil que segue o sujeito por corredores, quartos, elevadores, num senso de ação inventivo e até poético no uso dos espaços e na enfatização dos movimentos, dos copos e da encenação dos atores… Essa primeira sequência é fenomenal, provavelmente o último grande momento genial de ação de Isaac Florentine até o momento.

Na trama, MacReady é aquele típico personagem que nunca nos cansamos de ver nesse tipo de filme, o casca-grossa, bom de briga, de poucas palavras e que não tem receio em encher seus desafetos de porrada. MacReady vai até o tal edifício do início do filme para resgatar sua sobrinha, sequestrada pelo Cartel local, seja lá por qual motivo… Depois de humilhar os criminosos com sua invasão, deixando um rastro de sangue e bandidos nocauteados, o herói resgata a menina e a leva de volta até sua mãe, que vive num rancho isolado. Assim que o faz, no entanto, o Cartel chega em massa querendo vingança e exige também um pendrive de alto valor que MacReady inadvertidamente, sem querer querendo, enfiou no bolso durante sua ação. Um elemento qualquer para fazer a história andar, já que no quesito narrativa, a coisa é só um fiapinho de nada…

Mas aí, bota no meio uns policiais corruptos, um rancho sob cerco do cartel mexicano com bandidos fortemente armados e ação, MUITA AÇÃO, ação suficiente para deixar o espectador entusiasta pelo gênero com um grande sorriso no rosto. Lutas encenadas, filmadas e editadas com a máxima clareza… Tem como não amar? O negócio é que Florentine e Adkins sabem como tratar o gênero e não perdem tempo tentando realizar uma obra-prima, mas trabalham os procedimentos e os significados da ação de uma maneira tão bem cuidada e controlada que dá outro peso a um filme pequeno como CLOSE RANGE.

Muita ação, pouca história, mas é o típico caso da forma substituta do conteúdo. Ou melhor, o tema do filme é a ação. É evidente que uma história mais elaborada e não tão genérica é importante e torna as coisas bem mais interessantes. Mas é preciso ter as intenções de Florentine em mente para aproveitar CLOSE RANGE. Dentro de seu propósito de estudo de ação, é diversão sem frescuras.

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1 Comentário

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  • Scott Adkins não tem o prestígio que merece. Ele é um excelente artista marcial, seus filmes não deixam NADA a dever aos maiores clássicos do gênero. Sem contar que que ele interpreta razoalvelmente bem, não de forma canastrona como outros “astros” que tem por aí.