Dissecando FLORENTINE – Parte 5: NO LIMITE DA VINGANÇA (Cold Harvest, 1999)

Depois de trabalhar com Dolph Lundgren, em BRIDGE OF DRAGONS, chegou a vez de outro ícone do cinema de ação de baixo orçamento dos anos 90 detonar com tudo em uma parceria com o diretor Isaac Florentine. O astro: Gary Daniel. O filme: COLD HARVEST.

Como já observamos nos filmes anteriores do diretor, a trama de COLD HARVEST só poderia se passar em períodos, contextos e ambientes inusitados: Em um futuro pós-apocalíptico, onde não se vê a luz do dia, um vírus mortal causa o terror em certas áreas infectadas. Gary Daniels faz papel duplo por aqui. Ele é Roland, um famoso caçador de recompensas – desses que pegam o trabalho através de cartazes de “procurado” (vocês vão entender porque) – e é também Oliver, seu irmão gêmeo, um dos poucos que carregam em seu corpo uma possível cura para o tal vírus. Quando Oliver e sua mulher (a musa dos anos 80, Barbara Crampton) estão sendo levados, junto com outros “portadores da cura”, para uma zona não infectada, o comboio é atacado pelo perigoso vilão Little Ray (Bryan Genesse) e sua gangue, que resolve simplesmente matar todo mundo sem muito motivo. A única que escapa é Barbara Crampton, que está grávida e, por conta disso, também carrega a cura. Procurada pelo bandido, ela encontra seu cunhado, Roland, que agora tem de protegê-la, levá-la até a tal zona e vingar a morte de seu irmão! Tudo ao mesmo tempo!

É, o roteiro parece mais elaborado do que as simples tramas que Florentine costuma trabalhar quando escreve seus próprios scripts, mas até que a coisa não é tão complicada assim. Trata-se, no final das contas, da boa velha história de vingança. Até porque o filme se preocupa mais em desenvolver cenas de ação do que histórinhas e personagens, embora tenha um pano de fundo bem interessante. Não há dúvidas de que essa combinação deixa COLD HARVEST no topo, como um dos melhores trabalhos do diretor, na minha opinião.

Uma das coisas mais legais do filme é que o universo que temos aqui, é visto como um encontro entre o futuro e o passado, da mesma maneira que Florentine havia feito em BRIDGE OF DRAGONS. No entanto, o passado em COLD HARVEST é representado por elementos do western. Os personagens andam de bugres estilo MAD MAX 2, motos, helicópteros, etc, mas ao mesmo tempo em que existem saloons, vestem-se como forasteiros do velho oeste e carregam armas no coldre prontos para um duelo… Eu sei que nada disso é muito original, mas curiosamente, os personagens também lutam kung fu (ou algo do tipo), pra não esquecermos que estamos num filme de Isaac Florentine!

Gary Daniels não tem o carisma de um Dolph Lundgren, mas ele sabe fazer a coisa funcionar. É o tipo de ator que os amantes ardorosos de filmes B de ação aprendem a gostar, especialmente quando o sujeito pode abusar de toda a sua real habilidade em artes marciais, como é o caso de COLD HARVEST. Barbara Crampton tem uma atuação discreta, mas sua presença sempre ilumina o filme; e Bryan Genesse não tem muito perfil de vilão… mas consegue dar o tom sádico que seu personagem precisa, além de uma indefinição sexual que o deixa mais curioso.

E, óbvio, Florentine não decepciona na condução dos vários momentos de pancadaria e tiroteios violentos. Aqui sim, Florentine demonstra porque é um dos melhores diretores de ação direct to video da atualidade! Destaque para a ação final, quando Gary Daniels invade o covil de Little Ray distribuindo tiros e porradas pra todos os lados, filmado num estilo claramente inspirado em John Woo, mas desta vez funcionando perfeitamente, diferente do desastre HIGH VOLTAGE. Inclusive alguns enquadramentos recriam imagens dos filmes do diretor chinês. Outra influência clara presente no filme – especialmente na ação final – é Sergio Leone; o duelo entre o protagonista e seu oponente tem montagem que remete diretamente ao “trielo” de THE GOOD, THE BAD AND THE UGLY acompanhada de uma trilha bem tosca de spaghetti western. Mas são detalhes que dão um charme, contribuem muito para a ação e resulta num dos grandes momentos da carreira de Florentine!

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