DON’T KILL IT (2016) traz Dolph Lundgren como Caçador de Demônios

Como apreciador assumido do trabalho de Dolph Lundgren, é preciso confessar que tem sido uma jornada árdua acompanhar os lançamentos do sujeito nos últimos anos. A cada cinco filmes, quatro são lixos completos. E o pior é que Dolph resolveu, a essa altura da carreira, acompanhar a frequência de um Eric Roberts da vida. O cara é incansável. São vários projetos para serem lançados nos próximos meses e nos resta apenas torcer para que não sejam horrendos, como foi LARCENY. Para nossa sorte, de vez em quando aparece um DON’T KILL IT e nossas esperanças são renovadas.

Dirigido por Mike Mendez (BIG ASS SPIDER), DON’T KILL IT é um híbrido de terror com ação e um toque muito bem-vindo de comédia. No ano passado recebeu vários elogios em festivais de terror nos EUA. Portanto, nesse mar de variedades de filmes do velho Dolph, este definitivamente era o que mais me chamou a atenção na época.

Primeiro, Dolph não fez muitos filmes de horror em sua carreira, muito menos comédias (apesar de um de seus filmes recentes ser UM TIRA NO JARDIM DE INFÂNCIA 2, um verdadeiro desastre, mas que demonstra que Dolph leva jeito num lado cômico. Em segundo lugar, gostei do conceito de DON’T KILL IT. Lundgren desempenha um caçador de demônios enfrentando um ser que salta de corpo a corpo quando morto. No caso, se você matar a pessoa possuída, então você acaba possuído.

Na trama, um mal antigo é desencadeado em uma pequena cidade do Alasca, deixando uma trilha de morte e destruição à medida em que esse espírito do mal passa de hospedeiro a outro. A única esperança é o caçador de demônios Jebediah Woodley (Dolph) que já havia enfrentado esse mesmo terror antes.

DON’T KILL IT tem o espírito dos filmes do gênero que encontrávamos nas locadoras de vídeo nos anos 80 e 90. Filmes de baixo orçamento, mas divertidos, sangrentos, conscientes do seu ridículo. Não há nada pior que um filme de conceito besta que tenta se levar a sério. E Mendez e seus roteiristas sabem o que fazer para ter um filme agradável. Com orçamento baixo e um calendário apertado, a missão dos caras é simplesmente garantir que DON’T KILL IT entretenha seu público.

don't kill it

Os fãs de horror e ação, naturalmente, devem estar interessados ​​nos momentos mais agitados. Mike Mendez manda bem nessas cenas, tem bom domínio em criar tensão e elaborar momentos em que os personagens se encontram em situação de risco. Um bom exemplo é a sequência inicial, no qual um pai de família, possuído pelo demônio, armado com um rifle, mata mulher e filho à sangue frio, antes de partir para a casa do vizinho fazer a mesma coisa. O legal é que Mendez tenta ao máximo optar por efeitos especiais mais práticos, à moda antiga. Ocasionalmente combina tudo com CGI. Mas não dá pra reclamar do resultado. Até porque nem todo mundo tem o privilégio de ser o Rick Baker ou o Tom Savini.

Mas tenho certeza que a sequência da reunião da cidade, num pequeno auditório, vai fazer até o mais exigente fã de horror old school abrir um largo sorriso no rosto. A coisa é tão absurda, sangrenta e divertida que você nem sequer questiona coisas como uma serra elétrica aparecendo aleatoriamente numa reunião de cidade… E ainda temos Dolph soltando um “shit” toda vez que o demônio muda de corpo. Simplesmente hilário!

Aliás, é evidente que a cereja do bolo é ter o Dolph como protagonista. Com um chapéu velho e um sobretudo de western, seu Woodley é um sujeito cansado e deslocado do mundo, tendo passado a maior parte de sua vida lutando contra demônios. Mas ao contrário dos heróis fodões que Lundgren sempre viveu, Woodley tem um lado atrapalhado que é a graça de DON’T KILL IT. É quase um milagre que ainda esteja vivo. Claro, ainda há o suficiente de comportamento badass em Dolph que não o deixa se transformar num Leslie Nielsen, mas dá pra ver que Dolph se permite ser engraçado e se diverte vivendo o personagem.

DON’T KILL IT não vai ganhar prêmios de originalidade. Nem tem a pretensão. Mas é feito com boas intenções e é honesto… Engraçado e grotesco no bom sentido, Mike Mendez acaba por abrir as portas para uma boa oportunidade aqui. DON’T KILL IT é uma franquia em potencial com possibilidades ilimitadas para o caçador de demônios de Lundgren. Dá para envolvê-lo fácil em diversas aventuras… Ou pelo menos numa série de TV. Eu seria o primeiro da “fila” para acompanhar cada episódio.

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