DUPLA EXPLOSIVA (2017) | REVIEW

Estreando esta semana nos cinemas nacionais, DUPLA EXPLOSIVA é o típico filme de ação trivial, mais batido que bengala de cego, trabalhando dentro de uma fórmula tão usada, mas tão usada, que é impossível enumerar os clichês. Mas nada disso importa muito, porque o novo trabalho de Patrick Hughes (OS MERCENÁRIOS 3), estrelado pela improvável dupla Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, é simplesmente um dos filmes de ação mais divertidos do ano!

Como isso é possível? Bem, para começar, DUPLA EXPLOSIVA segue a tradição clássica dos buddy movies, esgotando todas as suas possibilidades, combinando dois personagens extremos opostos que acabam forçados a trabalhar lado a lado para atingir seus objetivos. Ou manter a pele intacta, como é a maioria dos casos… Pensemos na fase áurea desse subgênero para ter uma referência, os bons e velhos anos 80 e 90. Pensemos em Shane Black, em 48 HORAS, na série MÁQUINA MORTÍFERA, INFERNO VERMELHO, FUGA À MEIA NOITE e MEU PARCEIRO É UM DINOSSAURO, aquele filme policial que a Whoopi Goldberg tem um dinossauro como parceiro… Er, melhor deixar esse de lado. E DUPLA EXPLOSIVA, apesar de não acrescentar quase nada ao subgênero, não faz feio no nível de diversão que proporciona.

Em segundo lugar, temos uma trama simplória e genérica, mas que funciona. Ryan Reynolds (BLADE: TRINITY) é Michael Bryce, um guarda-costa de primeira linha que viu sua carreira descer a ladeira quando um de seus protegidos foi assassinado debaixo do seu nariz, sob sua proteção. Agora, os únicos trabalhos que consegue são os que ninguém mais quer. Ansioso para recuperar seu status, acaba aceitando relutantemente proteger um assassino profissional sob custódia, Darius Kincaid (Samuel L. Jackson, de MÁQUINA QUASE MORTÍFERA), que é uma testemunha vital no julgamento de um ditador sanguinário de um país qualquer do leste europeu (vivido pelo grande Gary Oldman, de ROMEU IS BLEEDING).

Ao longo do caminho, as personalidades dos dois sujeitos se chocam: Kincaid é emoção explosiva, impulsivo, mas com um grande caráter, um sujeito que eu sentaria num bar e pagaria uma cerveja numa boa, enquanto Bryce é estritamente regimentado, arrogante e um verdadeiro babaca, embora seja bom naquilo que faz; Bryce protege os clientes e o trabalho de Kincaid é eliminá-los. E por conta disso, os dois possuem uma série de desavenças de longa data. É nisso tudo que reside o terceiro motivo do filme ser tão legal: a essência de DUPLA EXPLOSIVA não é sobre dois homens viajando pela Europa, sendo perseguidos por assassinos, matando quem entra em seus caminhos, para um deles testemunhar num tribunal… Mas sim como essas duas personas totalmente diferentes interagem e descobrem a si mesmo numa jornada de redenção.

Redenção também para o diretor australiano Patrick Hughes, que acabou entrando numa barca furada em 2014 com o terceiro capítulo da série OS MERCENÁRIOS, um autêntico fiasco… Só que Hughes vinha de uma estreia classuda e badass em sua terra natal, um filmaço policial anti convencional chamado BUSCA SANGRENTA, que me surpreendeu bastante na época. E eu tinha certeza que poderia esperar mais do sujeito fora de um projeto tosco como OS MERCENÁRIOS 3.

A sua redenção veio com DUPLA EXPLOSIVA, que embora o plot básico seja só um fiapo e uma desculpa para a dinâmica entre os dois protagonistas, o diretor mantém as coisas vivas, com muita energia e sequências de ação espetaculares, que não economizam na quantidade de tiros, corpos e sangue espirrando à vontade, como há muito tempo não se via… Mentira, vi esse ano em JOHN WICK – UM NOVO DIA PARA MATAR. Aliás, incrível com a ação de JOHN WICK vem influenciando cineastas interessados no gênero atualmente. Vejo como algo positivo. Me lembra aquela fase em que diretores americanos casca-grossas do início dos anos 90 imitavam o John Woo…

Aqui, Hughes abusa de tiroteios elaborados com balas acertando a cabeça de desavisados e longos planos em sequências de luta realistas e viscerais que remetem ao que Keanu Reeves faz em JOHN WICK. Como na briga de Reynolds contra um brutamontes numa loja de ferragens. As cenas de perseguições também são um primor, incluindo uma que se passa nos canais de Amsterdã que me deixou com olhos grudados na tela.

Além disso, DUPLA EXPLOSIVA possui várias sacadas engraçadíssimas, Reynolds e Jackson estão hilários, carismáticos, o que também ajuda a elevar o material. O velho Sammy, óbvio, se destaca mais, soltando seus habituais “motherfucker’s” a cada dois minutos. Salma Hayek também chama a atenção em todas as cenas em que aparece, como a esposa de Kincaid, o que inclui uma certa sequência romântica ao som de Hello, de Lionel Ritchie, que é impossível um fã de musicas bregas oitentistas ficar indiferente.

Tirando o fato de ser um bocado mais longo do que deveria (praticamente duas horas, num filme que tem pouca história pra contar), DUPLA EXPLOSIVA prova que não é preciso ser tão original para o resultado ser divertido. Um filme que não quer inventar a roda, mas trabalha as fórmulas desgastadas do gênero com bom humor, cumprindo exatamente o que promete, que é ser um filme de ação exagerado, sem vergonha e violento. E ainda conta com o carisma e a química de seus dois protagonistas, Reynolds e Jackson, em estado de graça. O filme foi lançado no Brasil pela California Filmes.

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