EM RITMO DE FUGA (Baby Driver, 2017) | REVIEW

Edgar Wright é, certamente, um dos diretores que melhor compreende a importância da edição, trilhas sonoras e de gags visuais na atualidade.  Fora isso, desde SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO (Scott Pilgrim Vs The World, 2010) ele também se mostrou habilidoso na hora de filmar cenas de ação. EM RITMO DE FUGA (Baby Driver, 2017), vemos Wright realizar o seu trabalho mais ousado.

A trama conta a história de Baby (Ansel Elgort, de A CULPA É DAS ESTRELAS), um jovem motorista de fugas que trabalha para Doc (Kevin Spacey), um criminoso que organiza assaltos a banco com equipes diferentes a cada novo ato. Seu único membro remanescente é o garoto, que trabalha para pagar uma velha dívida. Baby, que sofre de tinido – uma condição que o faz ouvir zumbidos a todo o instante – após um acidente de carro na infância, está sempre com um Ipod munido de uma série de músicas. Cada canção irá embalar um roubo, que deve começar e terminar enquanto a canção acontece.

Baby vive com Joseph (CJ Jones), seu pai adotivo, um homem surdo de quem toma conta. Joseph tenta, frequentemente, convencer o garoto a largar a vida de crimes, embora este sempre o lembre que não o fará para sempre. Em certo momento ele conhecerá Debora (Lily James), uma jovem garçonete que, assim como ele, ama música e sonha em, eventualmente, sair daquela cidade, recomeçar.

Diferente dos seus filmes anteriores, onde o humor prevalecia, o que vemos aqui é Wright saindo um pouco de sua zona de conforto: além de notoriamente trabalhar com um orçamento maior, tanto pelo elenco, que conta com os oscarizáveis Spacey e Jamie Foxx (roubando as cenas), quanto pelas cenas de ação, com pouca utilização de CGI e muitos efeitos práticos, com cenas de perseguição realizadas por dublês altamente capacitados – além do próprio elenco se arriscando em alguns takes -, a trama vai, gradualmente, se tornando mais séria. O flerte com o drama já aparecia mesmo em sua “Trilogia do Cornetto”, mas aqui a sensação de que algo pode dar errado é bem maior. De um filme aparentemente leve e despretensioso, a trama se desenrola para uma história sobre punição e redenção.

A edição precisa de EM RITMO DE FUGA nos permite perceber a todo momento o que está acontecendo em cena e o timing de tudo o que acontece está ligado a batida das canções que Baby escuta ao longo do filme. É quase como se a obra fosse um “musical de ação” filmado e coreografado por Wright e Darrin Prescott, seu coordenador de dublês e diretor de segunda unidade.

Meio tributo ao cinema de perseguição dos anos 70, meio filme de amor, uma possível obra-prima. EM RITMO DE FUGA é o tipo de experiência em ação que nos mostra que, aparentemente, o gênero está ganhando um novo e bem vindo fôlego. Recomendadíssimo!

 

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