ENTER THE NINJA (1981)

Se existe um subgênero chamado, digamos, “ninja movie“, ENTER THE NINJA é seríssimo candidato a ser considerado uma dos principais responsáveis por isso. Filmes de ninja sempre existiram e, claro, AMERICAN NINJA, de Sam Firstenberg, contribuiu bastante para popularizar a figura do guerreiro encapuzado no cinema ocidental. Mas se voltarmos um pouco no tempo para conferir a origem da febre nos Estados Unidos, provavelmente chegaremos em ENTER THE NINJA. Produzido pela Cannon Group, da dupla Golan-Globus, e dirigido pelo próprio Menahem Golan, o filme estabelece a ideia do ocidental que se torna um mestre da arte ninjitsu. No caso deste aqui, temos ninguém menos que o italiano Franco Nero, com bigode e tudo mais, dentro de um pijama branco.

Enter-the-Ninja_01

Após completar seu treinamento no Japão e se tornar um mestre ninja, Nero vai para as Filipinas ajudar um amigo de longa data (Alex Courtney, que é a cara do James Caan na época do PODEROSO CHEFÃO), que possui um rancho no local e passa por alguns problemas com um grande empresário que quer comprar suas terras. A mulher do sujeito, Susan George, ama o local e não pretende vender de maneira alguma. E a coisa vai complicando, porque a oferta do inescrupuloso businessman é “irrecusável”, do tipo “ou vende, ou algo ruim pode acontecer“.

E o recém formado “ninja branco” resolve ajudar da melhor forma possível: distribuindo pancadas em capangas que tentam persuadir seu amigo. Finalmente, o vilão, que é interpretado por Chistopher George, decide utilizar dos mesmos recursos de seu adversário e contrata um ninja diretamente do Japão para bater de frente com Franco Nero. E por pura coincidência e originalidade do roteiro, o cara escolhe justamente um desafeto do protagonista da época dos estudos ninja, vivido por Shô Kosugi.

Enter-the-Ninja_07

Ok, já dá pra ter uma noção do que teremos aqui. Sim, o filme é bobo e até um bocado constrangedor em alguns momentos, mas acaba divertindo justamente por isso. Por exemplo, tá certo que todos nós admiramos Franco Nero como o casca-grossa do Spaghetti Western e do cinema Polizieschi, o sujeito que interpretou Keoma e o Django original. No entanto, convenhamos, como mestre ninja não convence nem a minha avó. Mas a graça de ENTER THE NINJA está exatamente na ideia absurda de ter alguém do calibre de Franco Nero como um ninja, por mais ridícula que seja. É daquelas alegrias que só o cinema dos anos 80 poderia proporcionar.

Como Nero não percebe nada de artes marciais, em TODAS as cenas de luta nota-se claramente o uso de dublê, independente do personagem estar vestido de ninja ou não. Mas a grande sacada é que entre um golpe e outro em plano aberto com o dublê, corta para um close do Franco Nero fazendo cara de quem realmente estava enfrentando uns vinte sujeitos de uma vez. É simplesmente genial. Há uma outra cena que entrega de bandeja a total falta de habilidade do ator. Nero pega um nunchaku e começa a manuseá-lo em um momento de treino, tentando fazer aqueles movimentos estilo Bruce Lee, e o resultado é extremamente tosco! Hahaha! Belo mestre ninja esse aí…

 De qualquer forma, esta questão foi alterada na continuação, REVENGE OF THE NINJA, que traz de volta o Shô Kosugi como herói. No papel de vilão até que manda bem por aqui, só que o filme é tão bobinho que em momento algum sentimos que ele é uma ameaça para o Nero. O confronto final entre os dois, por exemplo, é bem curto e o herói não tem grandes dificuldades para derrotá-lo.

Enter-the-Ninja_15

Quem se destaca é Christopher George que faz um dos vilões mais estereotipados dos anos 80. Seu personagem ficou famoso nesta era do youtube por conta da cena em que é morto pelo herói, com um video cujo título é Best Death Scene Ever. Como podemos perceber, Nero manda uma estrelinha ninja em cheio no peito do sujeito, que desmunheca, solta um gritinho estranho e faz umas caras impagáveis… Uma performance corporal artística muito expressiva, eu diria. De fazer inveja a Marlon Brando ou Lawrence Olivier. Susan George também tem muita presença, especialmente porque se nota que está sem sutiã durante o filme inteiro e os peitos ficam balançando debaixo da blusa.

A ação de ENTER THE NINJA é basicamente composta por pancadaria, só que conduzida sem muita inspiração. Até que há o suficiente pra manter o espectador entretido, mas são rápidas e não chegam a empolgar muito. São má dirigidas, má coreografadas, má decupadas. Mas valem pela presença do Franco Nero inserido nos close-ups. Alguns momentos que tentam aproveitar mais da essência do ninjitsu, especialmente as armas e as habilidades especiais que só os ninjas possuem, acabam se tornando mais interessantes. Mas, no fim das contas, são outros detalhes, ridículos ou não, que importam e que fazem ENTER THE NINJA o clássico que é.

pf55

Gostou do conteúdo? Seja o nosso patrão! Yippee Ki Yay, Motherfucker!

Adicione um comentário

Deixe uma resposta