GARANTIA DE MORTE (Death Warrant, 1990) | REVIEW

Não é nada incomum um action hero badass ter pelo menos um “filme de prisão” no currículo. Sylvester Stallone tem três: CONDENAÇÃO BRUTAL, ROTA DE FUGA (que fez com Schwarzenegger) e se levarmos em consideração, boa parte de TANGO E CASH… Don The Dragon Wilson tem BLOODFIST III: FORCED TO FIGHT; David Bradley fez HARD JUSTICE; Wesley Snipes tem UNDISPUTED, até um Clint Eastwood fez FUGA DE ALCATRAZ e Steve McQueen, PAPILLON. Acho que o Bronson e o Chuck Norris não tem, não sei se vale BRADDOCK 2. Mas não importa, existem tantos outros exemplos… Steven Seagal queria fazer um no início dos anos 90, mas acabou perdendo o papel para um baixinho belga que estava entrando no auge como astro de filmes de ação. O resultado foi GARANTIA DE MORTE, de Deran Sarafian, estrelado por Jean-Claude Van Damme.

O filme foi o primeiro script escrito por David S. Goyer, hoje um dos principais roteiristas dessas produções da DC Comics. Na época, ainda estudante da USC. A trama começa com o detetive Louis Burke (Van Damme), da Royal Canadian Mounted Police (sempre havia alguma coisa para explicar o sotaque de JCVD nesses primeiros filmes, coisas do tipo “depois de você ter morado com a mãe na Europa“, sabe?) que está em L.A. no rastro de um notório serial killer conhecido como The Sandman (Patrick Kilpatrick), responsável também pela morte do parceiro de Burke. Então trata-se inclusive de um caso pessoal de vingança.

Logo na cena inicial, Burke está espreitando ao lado de um prédio abandonado onde supostamente está The Sandman, quando três meliantes começam a incomodá-lo. Rapidamente, arrebenta com eles soltando seus chutes altos, apresentando ao público o que o sujeito é capaz. Simples e prático. GARANTIA DE MORTE é mais um exemplar com o selo JCVD!

Burke entra no prédio. Quando menos espera, The Sandman lhe faz um ataque surpresa. O detetive consegue atirar nele uma vez. “Você não pode me matar – eu sou o Sandman“, diz o serial killer. Burke, que não está para brincadeiras, enche o vilão de chumbo grosso, que cai sem vida. Em seguida, corta para dezesseis meses depois. O protagonista volta a L.A. para se encontrar com o procurador-geral Tom Vogler (George Dickerson), que é encarregado de uma operação especial para investigar uma série de mortes misteriosas que ocorreram dentro da Prisão Estadual.

A ideia é meter Burke lá dentro, disfarçado. “Você é do Quebec, então ninguém vai te reconhecer“, é o que dizem a ele. Então JCVD ​​vai para a prisão.

Mal chega no local, Burke encontra todos os tipos habituais de esteriótipos de filmes de prisão; guardas sádicos, o velho prisioneiro mais sabido, Hawkins (Robert Guillaume); o médico da prisão; seu parceiro de cela, que tenta se impor para conseguir uma chupada, mas Burke deixa claro, de forma brusca, que não é do tipo, e os dois acabam ficando amigos; e, claro, aquele personagem que sempre consegue fazer qualquer coisa de dentro da prisão, conhecido aqui como Padre (Abdul Sazaam El Razzac), que vive numa espécie de porão da prisão, local esfumaçado de maconha e cheio de travecos. “Até os guardas não descem aqui“, diz alguém.

Logo, Burke começa a investigar, procurando pistas para descobrir por que alguns presos acabaram comendo capim pela raiz. Aos poucos, os mistérios vão sendo revelados, Burke percebe que todas as vítimas possuem detalhes em comum em suas fichas médicas. Finalmente, o sujeito descobre que os corpos dos prisioneiros falecidos estão sendo usados para recolher órgãos para serem vendidos no mercado negro.

Infelizmente para o nosso herói, e para a surpresa de todos, The Sandman está vivíssimo e é transferido para a prisão (e parece muito bem pra quem teve o corpo cravado de balas) e imediatamente expõe a identidade de Van Damme ao resto dos prisioneiros, o que não o torna exatamente a pessoa mais popular no local. Tudo isso leva a um impressionante final, quando The Sandman liberta TODOS os prisioneiros de suas celas, que perseguem o nosso herói pelos corredores da prisão, num verdadeiro pandemônio, sedentos por sangue de policial! Com a ajuda de Hawkins e do Padre, Burke consegue chegar à área das caldeiras da prisão, onde reencontra The Sandman e tem início a uma batalha final épica entre Van Damme e Patrick Kilpatrik.

O diretor de GARANTIA DE MORTE é Deran Sarafian, filho do grande Richard C. Sarafian, diretor de clássicos como VANISHING POINT. E o sujeito parece ter herdado o talento do pai. Filma bem pra cacete! É um nome do cinema de ação a ser descoberto. O cara trabalha com maestria uma steadicam que faz o filme se mover com muita fluidez. E isso também ajuda nas cenas de luta. Não que as coreografias sejam espetaculares ou tão elaboradas, mas o cara sabe onde colocar a câmera para realmente mostrar o que diabos está acontecendo nas sequências de ação. É uma das coisas que sinto falta dos anos 90, uma ação de claro senso de coreografia e geografia.

Um bom exemplo disso em GARANTIA DE MORTE é o grande encontro entre Van Damme e o eterno capanga dos filmes de ação americanos dos anos 90: Al Leong. Primeiro, há uma cena em que Burke ajuda Hawkins quando um membro de uma gangue latina o aborrece. Nada que um pontapé na cara bem colocado não resolvesse. E este ato nos leva a um dos encontros mais badasses do cinema testosterona. Ao limpar a lavanderia, sozinho e à noite, seja lá por qual motivo, Burke é abordado pelo tal latino que havia chutado a cara, acompanhado de um amigo. E entra em cena Al Leong. É uma luta rápida, mas divertida de se ver, com Leong usando uma corrente e Van Damme desferindo seus golpes com muita habilidade e finalizando ao colocar a cabeça do sujeito em uma máquina de lavar roupa. Esta foi, infelizmente, a única vez que Van Damme teve uma cena de luta com Al Leong.

Em termos de atuação, Van Damme dá o seu melhor dentro dos seus limites, mas é carismático e está realmente em forma paras as cenas de luta por aqui. O sujeito convence em passar a angústia que o personagem atravessa em aceitar uma missão de alto risco, especialmente nas sequências em que o Burke vai parar na solitária (outro clichê básico de filmes de prisão), embora em nenhum momento GARANTIA DE MORTE procure filosofar em cima dos atos de seu personagem. Tudo é muito direto sem preocupações morais. É matar ou morrer, olho por olho, dente por dente e foda-se. Cynthia Gibb, que vive a advogada que atua disfarçada como a esposa de Burke, para trocarem as informações que ele conseguir, também merece destaque, tem um papel bastante ativo na história. Burke e ela, a princípio, não parecem se dar bem, mas vocês já devem imaginar o que vai acontecer… Como na cena da suposta visita íntima que acaba ficando REALMENTE íntima!

Mas o grande ladrão de cenas é Patrick Kilpatrick. O sujeito tem interpretado principalmente vilões em toda a sua carreira (seu rosto contribui muito pra isso), em filmes como A FORÇA EM ALERTA 2 e QUEIMA DE ARQUIVO e está simplesmente devastador como The Sandman, provavelmente o melhor personagem que já fez na vida. As sobrancelhas de Kilpatrick foram descoradas dando-lhe um olhar realmente assustador e inquietante. É um desses vilões que dá gosto de ver em cena, apesar de não aparecer tanto por aqui. Uma das coisas que mais gosto em GARANTIA DE MORTE é a misteriosa lógica sobre a indestrutibilidade do personagem. Sério! Depois de sobreviver aos tiros no inicio do filme, o cara é chutado para dentro de uma fornalha na luta final, para logo em seguida, envolto das chamas, continuar lutando. Mas ei, é um filme do Van Damme. Quem se importa com a lógica?

GARANTIA DE MORTE seria mais um belo exemplar da gloriosa Cannon Films, com o título DUSTED, mas durante a produção, a Cannon finalmente entrou em falência e a MGM acabou assumindo grande parte das suas produções. DUSTED foi renomeado DEATH WARRANT e lançado nos cinemas no início do estrelato de Van Damme. E com ótimos resultados de bilheteria! Filme de ação/prisão movimentado, tenso, de apenas 89 minutos, bem filmado e com uma história realmente envolvente (embora previsível), com alguns personagens divertidos e todos os clichês de filme de prisão dos anos 90… É, o resultado não poderia ser diferente.

Ah, e só pra constar, Steven Seagal conseguiu fazer seu filme de prisão alguns anos depois, já na sua fase direct to video, com NO CORREDOR DA MORTE, de 2002… Mas é assunto para algum post futuro.

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2 Comentários

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  • No Corredor da Morte foi o último filme de Seagal estrelando que passou nos cinemas. Machete não conta.

  • Ótimo filme do Van Damme no auge da sua carreira ,esse passou em sua primeira exibição na TV Aberta em 24/10/1994 na “Tela Quente ” na Rede Globo e foi varias vezes reprisado por essa emissora faz tempo que o filme em si no é exibido por emissora alguma .. Ah! tambem á TV Aberta já morreu faz tempo quem se importa ! saiu em VHS pela America Video lá nos anos 90 e tambem foi lançado em DVD pela Flashstar Home Video como á sua dublagem original ,Robert Guillaume fez o protagonista na serie ” O Poderoso Benson” que era exibida na Sessão Comedia da Rede Globo as 17:00 as quartas -feiras no final do anos 80, junto com outras series que se tornaria sucesso de audiencia aqui no Brasil na epoca :Super Vicky,Caras e Caretas,Primo Cruzado,Super Gatas.