GARRAS DE ÁGUIA (Talons of the Eagle, 1992)

GARRAS DE ÁGUIA é um pequeno “clássico” da golden age dos filmes B americanos de luta, que marcou o final dos 80 e início dos anos 90. Traz Billy Blanks como um dedicado policial novaiorquino, obviamente especialista em artes marciais, que aceita a perigosa missão de ir a Toronto, no Canadá, juntar forças com um detetive local, interpretado por ninguém menos que Jalal Merhi, e se infiltrar na organização criminosa por trás do tráfico de entorpecentes, comandada por Mr. Li, vivido por James Hong.

Na trama, os dois heróis precisam de alguma forma impressionar Mr. Li, que curiosamente financia um torneio de luta clandestina dentro de um armazém abandonado. Mas não fiquem pensando que vai ser moleza. Antes de entrar no torneio, os protagonistas passam por semanas de treinamento de kung fu com o mestre Pan, interpretado pelo próprio Qingfu Pan. O sujeito ensina aos dois policiais o grande estilo das Garras de Águia! Por isso o título, sacaram? Então tá bom…

Emulando ROCKY, temos várias sequências de treinamento que basicamente se resumem a vídeo clips com uma música bacana e os dois sujeitos em diversas situações, movimentos e posições bizarras, que fazem parte do ensinamento.

garras aguia

Er… Bem, acaba que o torneio não dura nem dez minutos de filme. E logo Blanks e Merhi já estão contratados para trabalhar no cassino de Mr. Li. Local que funciona também, vejam só que legal, um centro de treinamento de kung fu para bandidos! E como se isso não bastasse, o professor é o alemão Matthias Hues, que ensina seus alunos com toda sua delicadeza, desferindo-lhes chutes na cara e quebrando alguns ossos! Hues “interpreta” o braço direito (e talvez algo mais… Se é que me entendem) de Mr. Li. E desde o momento em que vemos o sujeito em cena, já começamos a imaginar uma luta final entre ele e o Sr. Blanks!

Já infiltrados, os heróis tomam conhecimento de que a garota de Mr. Li, Cassandra (Priscilla Barnes) é, na verdade, uma agente disfarçada também. Agora, só precisam arranjar as evidências de que o sujeito é de fato o rei do tráfico canadense para desmascará-lo. O problema é sair com vida do local. O que não vai ser fácil tendo o fortão Hues e um grupo de lutadores no encalço.

GARRAS DE ÁGUIA teve um lançamento discreto nos cinemas do Canadá, mas se deu bem mesmo no mercado de vídeo, assim como a grande maioria dos filmes do gênero. Nota-se que a produção não esbanjava no orçamento, mas até que o filme tem um ritmo bom… Claro, ajuda muito se você já for um apreciador deste tipo de tralha. Para um fã do gênero, basta colocar Matthias Hues contracenando com James Hong para ficar entusiasmado.

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Falando em atuações, Billy Blanks, por exemplo, é um canastrão de primeira linha. Mas é por isso mesmo que é divertido vê-lo tentando extrair de si alguma interpretação. Já as cenas de lutas são bem legais. É evidente que não se deve comparar com as coreografias de um filme de Hong Kong, mas Blanks tem bons movimentos. Estamos falando do cara que ficou famoso depois por ter criado o Tae Bo, um sistema de treinamento derivado de várias artes marciais e dança.

E o tal aguardado embate entre Blanks e Hues realmente acontece, no climax de GARRAS DE ÁGUIA. É simplesmente histórico, uma obra-prima da truculência no cinema!

Quem dirige o filme é um tal de Michael Kennedy, que não fez muita coisa pra cinema, mas deixou algumas pérolas. Seu trabalho aqui até que não foi muito difícil, contanto que não inventasse modinha ou enrolasse demais. Bastava colocar uns brutamontes pra brigar em frente à câmera e tudo iria funcionar. E foi o que fez. Funcionou!

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GARRAS DE ÁGUIA foi homenageado pela turma do Hermes & Renato, resultando num dos episódios mais engraçados do Tela Class, da MTV. Para quem não lembra, os caras do Hermes & Renato pegavam filmes bagaceira, reeditavam, redublavam e transformavam as obras numa grande piada! A MTV já tinha morrido há tempos, mas esse programa era o único que prestava. GARRAS DE ÁGUIA se transformou no GARRAS DE BAITOLA, no qual Billy Blanks se chamava Edson, “entende”?! Na trama, Edson era um homossexual que estava a procura de um parceiro. “Eu queria um homem pra eu”, diz na agência de relacionamentos. E Merhi surge como pretendente… é de rolar de rir

GARRAS DE ÁGUIA também é hilário, só que involuntariamente. O filme tem falhas de continuidade gritantes, roteiro forçado e atuações medíocres. Mas pra quem assim como eu acha que esses meros detalhes não estragam a diversão, é recomendadíssimo.

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2 Comentários

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    • Sim, ele ensinava o tal Tae Boe. A coisa fez tanto sucesso que o cara se dedicou só a isso e largou de fazer cinema. Não sei se é motivo de comemoração ou tristeza… Mas eu curto bastante algumas coisas que ele fez… hehe