REVIEW: O GRANDE ANJO NEGRO (Dark Angel AKA I Come In Peace, 1991)

O filme abre com um yuppie colocando um álbum de música clássica no seu CD player – uma novidade caríssima na época – e, pouco tempo depois, o aparelho dá alguma pane e o disco é cuspido pra fora. Enquanto ele reclama e se distrai colocando o objeto de volta, ele quase se envolve num acidente e joga o carro para fora da pista. Ele sai do carro, reclama da sorte e, em seguida, vê algo caindo do céu, na direção do seu veículo, causando uma explosão. Do buraco em chamas que fica, saí um gigante de cabelos e olhos brancos (Matthias Hues) que diz: “Eu venho em paz”. Corta a cena, vemos um homem invadir uma delegacia de polícia para roubar a heroína que está no depósito. Ele mata um policial, troca sua roupa para um uniforme, se mistura a outro bandido também uniformizado, deixa uma bolsa nas escadas, saem pela porta da frente, entram no carro e, para não deixar chances, explode o lugar. Corta a cena de novo. Vemos o policial Jack Caine (Dolph Ludgren) numa tocaia com seu parceiro, que está grampeado se passando por traficante, no meio de uma negociação com um mafioso local. Enquanto não conseguem realizar a prisão, vemos o mercado que fica ao lado do clube onde rola o encontro ser assaltado por dois “pé rapados” típicos dos filmes da época. Caine irá intervir no assalto – dá-lhe chute na cara, tiros, etc – , quando finalmente chega a mala de heroína, onde revemos os mesmos homens de antes, aqueles que explodiram a delegacia. Descobriremos que – como sempre – o chefão já sabia que o homem era um agente da lei e que estavam armando para ele. Descem chumbo no parceiro de Caine. Quando estão para dar a noite como encerrada, surge o homem misterioso do começo. Ele diz: “Eu venho em paz” para, em seguida, atacá-los com uma arma estranha que dispara algo que parece um CD cortante, que arranca a garganta de quem acerta, ricocheteia pelas paredes e, além disso, possui uma arma de calibre fortíssimo, altamente explosiva. Ele rouba a heroína e mata quase todo mundo. Ainda por cima, depois de alguns minutos de filme, ainda seremos apresentados a outro “gigante” (Jay Bilas) também armado com uma pistola explosiva que fará de tudo pra pegar o outro sujeito – que descobriremos ser um alien – que roubou a heroína dos mafiosos. Pronto. Está aí tudo o que precisam saber sobre este rocambolesco e maravilhoso filme.

O GRANDE ANJO NEGRO (Dark Angel ou I Come In Peace, 1991) é uma obra que mistura ação e ficção científica, mas de maneira pouco comum. Teremos aqui os clichês dos dois gêneros, dos parceiros que não se bicam (Brian Benben faz o certinho agente Smith que acompanhará Caine ao longo da trama), alienígenas semi-indestrutíveis, mafiosos psicóticos, um relacionamento amoroso que não anda porque o policial só pensa em trabalho e heroína, já que estamos chegando aos anos 90. É uma verdadeira salada de referências que tornam o filme muito divertido. Especialmente porque o roteiro de Jonathan Tydor e David Koepp (o homem que estragou INDY 4, sim…), além de ser um velho caso de filme que foi mudado ao longo da produção – era pra ser inicialmente uma comédia sci-fi que quase contou com Arnoldo Schwarzenegger! -, é mais focado na relação dos personagens do que se espera numa produção do tipo. Embora fique bem marcado que Caine seja o fodão e Smith o alívio cômico almofadinha, eles dão um mínimo de estofo para que os personagens pareçam – ouso dizer – humanos. A própria relação do personagem de Lundgren com Diane (Betsy Brantley), que diga-se de passagem trabalha na mesma delegacia que ele, me remete às trapalhadas de Tequila (Chow Yun Fat) ao lidar com Teresa (Teresa Mo) no clássico FERVURA MÁXIMA de John Woo,  que viria dois anos depois: dois policiais esquentados, workaholics e que frequentemente deixam seus relacionamentos íntimos de lado por se envolverem demais nos casos.

Mas claro que o drama O GRANDE ANJO NEGRO não tem o mesmo peso de qualquer obra de Woo. Aqui a coisa é rasa e rápida. A direção é de Craig R. Baxley, que tinha na bagagem anos de experiência como coordenador de dublês, uns episódios de “ESQUADRÃO CLASSE A” e cujo filme anterior é uma relativamente conhecida pérola casca grossa chamada ACTION JACKSON, protagonizada pelo querido Carl Wheaters. É muito alienígena explodindo coisas, injetando heroína em humanos para roubar-lhes o sangue, tiroteios, explosões,  perseguições, pessoas morrendo sem se entender o porquê… É o fino da grosseria, filmão B de Bom e (relativamente) Barato. Matthias Hues está supremo como o alienígena malvadão e é bacana ver o Lundgren se virando num tipo  mais “humano” de herói de ação, embora meio inexpressivo em alguns momentos. O GRANDE ANJO NEGRO não costuma ser tão lembrado, mas é definitivamente uma das melhores obras na filmografia do gigante sueco. Recomendado. Altamente.

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