HERCULES IN NEW YORK (1969)

Estreia de Arnold Schwarzenegger no cinema, ainda creditado como Arnold Strong… Acho que ninguém botava muita fé no segundo nomezão do sujeito, quem iria prever que se tornaria um dos maiores astros do cinema de ação casca-grossa de todos os tempos? Ainda mais com este HERCULES IN NEW YORK, que é uma baita furada como filme de estreia. Não sei se o então Mister Universo se orgulha muito deste seu primeiro papel, mas é um espetáculo de cenas sem pé nem cabeça, péssimas atuações e um roteiro sem vergonha, que só teria valor mesmo como curiosidade dos fãs do sujeito… Se bem que eu tenho uma queda pelo ridículo, como vocês sabem, então acho que o filme tem lá sua graça.

Arnie, obviamente, é o Hércules do título. O filme começa com o personagem ainda no Monte Olimpo queixando-se a seu pai Zeus que gostaria de ter uns momentos de diversão na Terra. Zeus é contra a essa ideia, mas Hércules acaba indo assim mesmo, para o desgosto do Pai dos Deuses, e se mete em altas confusões… Especialmente depois de fazer amizade com o baixinho Pretzie (Arnold Stang), se meter com gangsters e se tornar um lutador de wrestler profissional! Sim, porque é exatamente isso que Hércules faria se fosse para Nova York… Não demora muito, Zeus fica chateado, achando que Hércules está fazendo uma imagem errada dos deuses e tenta de qualquer maneira fazer com que ele volte para o Monte Olimpo. Sendo assim, ele envia Mercúrio e eventualmente Nemesis para lidar com a situação, mas as coisas vão sempre de mal a pior.

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E aí um monte de bobagens acontecem com o ingênuo Hércules, do tipo que é difícil imaginar algum realizador levando isso a sério, como na cena em que Hércules encara um urso fugido do zoológico num parque qualquer, por exemplo. É impossível não notar que o animal é claramente um sujeito vestido de urso e ninguém faz esforço algum para esconder isso. Só Arnie parece se esforçar e aproveitar mais um momento pra flexionar seus músculos mais uma vez, que é o tour de force da performance de Arnie, a dramaturgia do bíceps…

Qualquer oportunidade que o cara tem para tirar a camisa ele o faz. Porque essa é a sua arte, sua forma de se expressar. Dizem que para conseguir o papel por aqui, o agente de Arnie convenceu os produtores de que ele tinha experiência em palco… E é claro que tinha, mas como halterofilista, não com arte dramática. O sujeito subia num palco e exibia o peitoral, só viria recitar Shakespeare em 1993 em O ÚLTIMO GRANDE HERÓI numa cena antológica. Portanto, é esse conceito que temos que ter em mente numa de suas cenas mais patetas por aqui, quando ele arranca a camisa em plena Nova York apenas para se comparar ao cartaz de um filme do Hércules passando nos cinemas… Que atuação! Haha!

Vale destacar que Arnie foi dublado, o que torna tudo ainda mais bizarro… O sujeito é, sem dúvida, o melhor espécime possível para sequências como a do duelo de levantamento de pesos, ou a  cena que conduz uma carruagem ao estilo BEN HUR em plenas ruas da maior cidade do mundo numa perseguição alucinante (e muito mal decupada!) ou quando pratica wrestling em um “urso”… Enfim, é evidente que a escalação de Arnie em HERCULES IN NEW YORK foi puramente pelo aspecto físico. Mas até que Schwarzenegger exibe um mínimo de carisma e me parece legítima e honesta a maneira como aproveita essa sua primeira experiência, sem medo de fazer uma caricatura de si mesmo, o grande Mister Universo do período.

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É preciso fazer menção de algumas sequências do mais alto grau de surrealismo, como todas que se passam no fajuto Monte Olimpo, que mais parece ser situado num jardim emprestado por alguma biblioteca ou algo do tipo. Mas o melhor desses trechos são as terríveis atuações, que fazem o próprio Schwarzenegger aqui merecer um Oscar pelo seu desempenho. Uma das cenas mais “geniais” é quando Zeus manda ajuda a Hercules,  Atlas e Sansão, duas figuras carimbadas dos pepla italiano que aparecem do nada, no meio de uma confusão, para ajudar Hercules que perdeu seus poderes, e não dá conta de uma dúzia de gangsters… Desses momentos que de tão constrangedor acaba por ser também hilário!

É aquele negócio, HERCULES é uma diversão tola, que tem que ser visto com muito bom humor, por mais ínfimo e vagabundo que seja. Vale a pena, nem que seja para dar boas risadas dos micos de início de carreira de um dos astros mais populares do cinema pós anos 80…

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