Dissecando FLORENTINE – Parte 3: HIGH VOLTAGE (1997)

É interessante acompanhar o processo de amadurecimento de um diretor quando pega-se sua carreira e analisa-se filme a filme. O Isaac Florentine de hoje é cineasta completo dentro do cinema B de ação, mas teve que errar com algumas porcarias para chegar no seu devido patamar. Seu terceiro longa, por exemplo, HIGH VOLTAGE só não chega a ser um total desperdício porque possui alguns atributos divertidos do cinema de ação de baixo orçamento dos anos 90 que podem agradar alguns paladares menos exigentes. Mas aqueles que demandam o mínimo de qualidade (roteiro, boas atuações, etc…) vão se decepcionar com essa tentativa do diretor em fazer um filme de ação inspirado no estilo “Heroic Bloodshed” de John Woo, Ringo Lam, Tsui Hark, entre outros.

A trama de HIGH VOLTAGE é bem básica e gira em torno de uma quadrilha de jovens ladrões de banco que decide fazer um último golpe. O problema começa quando se descobre que o banco assaltado é utilizado para fazer lavagem de dinheiro da máfia coreana. Agora, suas vidas obviamente correm perigo. A partir desse fiapo de história, HIGH VOLTAGE estabelece um jogo muito mal elaborado de gato e rato, com desdobramentos inacreditáveis de ruins, situações que beiram ao ridículo, com direito a péssimas atuações e tiroteios extremamente mal filmados.

Antonio Sabato Jr. é o protagonista de HIGH VOLTAGE e faz o lider do grupo de ladrões. Talvez seja uma das piores apostas como astro de ação no período. Só faz pose achando que herdou algum talento do pai, o grande Antonio Sabato. Ainda no elenco, temos também William Zabka, Lochlyn Munro e Amy Smart pagando mico em início de carreira, embora continue pagando até hoje; George Cheung e James Lew, vilões como sempre; a filha do Bruce Lee, Shannon Lee, também dá as caras numa atuação lamentável como par romantico de Sabato Jr. Mas vale a pena destacar a participação do próprio Sr. Antonio Sabato, que aparece numa ponta bem divertida.

LEIA AQUI A PRIMEIRA PARTE DA SÉRIE DISSECANDO FLORENTINE

As tentativas de recriar tiroteios exagerados, com personagens voando pela tela em câmera lenta com duas pistolas na mão, estilo John Woo, são constrangedoras. Florentine demonstra não ter a mínima noção de como filmar tais cenas.  A sorte é que o sujeito já era um mestre em conduzir pancadaria e as poucas que temos aqui são bacanas e salvam as sequências de ação da desgraça total!

Tá certo que o filme não se leva a sério em momento algum, a impressão que dá é que se trata mesmo de um experimento, uma tentativa de fazer um verdadeiro exemplar do cinema de ação com aqueles tiroteios exagerados feitos em Hong Kong, só que sem a mínima capacidade pra isso. E tentando ser otimista e direcionando o texto (e o filme) para quem curte uma boa tralha e gosta de rir daqueles exemplares que involuntariamente se tornam engraçados pelos motivos errados, pode ser que HIGH VOLTAGE tenha encontrado um público mais simpático que frequentava as locadoras nos anos 90…

LEIA A SEGUNDA PARTE DA SÉRIE DISSECANDO FLORENTINE

Gostou do conteúdo? Seja o nosso patrão! Yippee Ki Yay, Motherfucker!

Adicione um comentário

Deixe uma resposta