THE HUNTER’S PRAYER (2017) | REVIEW

THE HUNTER’S PRAYER é o novo trabalho de um dos diretores de ação mais subestimados da atualidade. Jonathan Mostow não tem muitos filmes no currículo, embora sua carreira tenha início lá pelos anos 80, mas um dos seus principais trabalhos é um filmaço esquecido, BREAKDOWN, um thriller de estrada dos anos 90 estrelado por Kurt Russell, que já dava pra perceber um certo olhar de autor e não um artesão qualquer.

Foi o que demonstrou em dois dos seus longas seguintes para cinema, obras tão subestimadas quanto ele próprio: O EXTERMINADOR DO FUTURO 3 (03) e SUBSTITUTOS (09). Mostow tem mais filmes, algumas pequenas produções de horror nos anos 80 e filmes para a TV. Mas é muito pouco em se tratando de um grande talento que nunca teve o merecido reconhecimento.

Se THE HUNTER’S PREYER não chega a confirmar exatamente tudo o que eu disse sobre o sujeito até agora, ao menos é um thriller honesto e competente, com algumas ideias que fogem do habitual. Podem acusar o filme de um monte de coisa, menos de genérico. Além disso, possui um dos melhores personagens que Sam Worthington já desempenhou.

Acho que Worthington é o tipo de ator que nasceu para fazer filmes de ação. Pode não ser o grande ator que muitos esperavam quando surgiu, mas possui um certo olhar e classe que me remete aos heróis de ação old school de poucas palavras. Tem um bocado disso aqui em THE HUNTER’S PRAYER. Ele interpreta Lucas, um assassino profissional assombrado por um passado lúgubre, contratado para matar uma garota de 16 anos chamada Ella (Odeya Rush), mas percebe, na hora H, que não pode fazê-lo.

Uma das grandes sacadas de THE HUNTER’S PRAYER é o fato de Lucas ser um viciado em heroína, que vive injetando a droga para tentar suportar toda a dor que o seu passado lhe causa. E o fato do personagem ter que, em determinado momento, e no meio de uma trama tensa de vida ou morte, ter que correr atrás de drogas para se “manter”, cria uma dinâmica interessante e muito complexa para o personagem.

Apesar disso, o sujeito constrói um vínculo com a garota que ele deveria matar e agora ambos percorrem alguns países da Europa sendo perseguidos por assassinos enviados pelo antigo empregador de Lucas, interpretado por Allen Leech. Outro detalhe importante: Odeya Rush consegue fazer um bom trabalho como Ella. Não é a típica adolescente irritante que habitualmente detestamos nesse tipo de filme. Até nos importamos com ela…

THE HUNTER’S PRAYER tem ação para todos os gostos. A perseguição de carros pelas ruas da Suíça, logo no início, é um dos destaques. Há vários tiroteios no decorrer da trama e algumas cenas de combate corpo a corpo também, embora não sejam tão espetaculares. Mas tudo é filmado de forma seca, sem muita frescura. É só não esperar um novo JOHN WICK que dá pra se divertir tranquilo.

Em geral, THE HUNTER’S PRAYER pode não ganhar nenhum prêmio por originalidade, mas é um thriller sólido, com boa ação, simples e crua, e Sam Worthington, em grande momento, entrega uma de suas melhores performances.

Gostou do conteúdo? Seja o nosso patrão! Yippee Ki Yay, Motherfucker!

3 Comentários

Deixe uma resposta

  • “Foi o que demonstrou em dois dos seus longas seguintes para cinema, obras tão subestimadas quanto ele próprio: O EXTERMINADOR DO FUTURO 3 (03) e SUBSTITUTOS (09).”
    Sei não, Ronald. Do meu lado eu colocaria esses filmes como os mais fracos do Mostow – ok, Substitutos ainda dá pra aproveitar. Mas adorei U-571, mostrou que o cara podia dar conta de um filme com escopo maior.

  • Terminator 3 é tão ruim que até parece paródia, do cabra eu curto justamente o que não foi citado o filme de guerra que acabou ganhando um Oscar técnico chamado U-571: A Batalha do Atlântico