I SAW THE DEVIL (2010) | REVIEW

I SAW THE DEVIL é um soco no estômago de quem acha que no cinema de ação, a vingança é o melhor remédio. Bom, na maioria dos casos é, já que garante a diversão do espectador ávido por banhos de sangue. E rende algumas obras-primas, como o clássico DESEJO DE MATAR, de Michael Winner, com Charles Bronson. Mas quem tem o mínimo de sensibilidade, encontra em I SAW THE DEVIL uma realidade um pouco diferente dos típicos filmes mergulhados sob o mote da vendetta.

I SAW THE DEVIL poderia ser classificado também como um filme de horror, tamanha a crueza perturbadora na qual o diretor Jee-Won Kim trata sua obra, além da carga atmosférica densa e sombria que acompanha as imagens. Mas para mostrar o efeito da “mensagem” que o filme tem sobre quem o assiste, rende doses cavalares de sequências extremamente viscerais de ação, com o toque especial poético, brutal e pessimista do diretor sobre o tema. Tudo é lindamente filmado, de uma precisão impressionante na forma como utiliza de vários ambientes e recursos para deixar tudo mais impactante, especialmente nas cenas de ação, brigas com facas, porradaria mano a mano, que pontuam o filme, sem precisar chacoalhar a câmera ou editar freneticamente os planos. É tudo na base da decupagem e encenação, pura e simples.

Basicamente, sem entregar demais, já que isso pode estragar a diversão, a trama de I SAW THE DEVIL segue dois sujeitos, interpretados por Byung-hun Lee (A BITTERSWEET LIFE) e Min-sik Choi (mais conhecido por ser o protagonista do sensacional OLDBOY), num violentíssimo jogo de gato e rato que deixa profundas marcas, físicas e psicológicas, em cada um, sedentos por vingança. E as transformações que ocorrem no decorrer dessa jornada ao inferno elevam o filme a um grau de subversão que incomoda. Qual o limite onde o suposto herói pode ir antes de se transformar no monstro que ele persegue? É mais ou menos por esse caminho…

I SAW THE DEVIL é longo, poderia ser um pouquinho enxuto, e o roteiro, em alguns momentos, força a barra para facilitar certos entraves da trama. Nada que possa atrapalhar a experiência que é este monumento de Jee-Won Kim. Até hoje permanece como um dos melhores filmes de ação desta década.

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