Dissecando FLORENTINE – Parte 11: O IMBATÍVEL III: REDENÇÃO (2010)

Nem faz tanto tempo assim, mas lembro com nostalgia lá por 2008, 2009, no auge do cinema de ação direct to video, quando soubemos que Isaac Florentine iria se reunir novamente com Scott Adkins para um novo capítulo da série UNDISPUTED. Desta vez com Yui Boyka (Adkins), um dos personagens mais fascinantes do cinema de pancadaria atual, como protagonista. E em 2010 veio o resultado, O IMBATÍVEL III: REDENÇÃO, uma pedrada daquelas que tanto canoniza Florentine como um dos maiores diretores de ação em atividade, quanto coloca Scott Adkins num pedestal como o maior astro do gênero de sua geração.

A escolha de Boyka como protagonista neste terceiro filme segue uma lógica que chama a atenção já no capítulo anterior, a ideia do “vilão” derrotado de um filme acabar se tornando o herói redimido na produção seguinte. Foi assim com George Chambers, vivido por Ving Rhames em UNDISPUTED (02), de Walter Hill, que acabou virando protagonista de UNDISPUTED II (06), já na pele de Michael J. White e sob a direção de Isaac Florentine. Este segundo exemplar marca também a entrada do Yuri Boyka à série, o grande oponente de Chambers. Mas, com a sua derrota, tivemos em O IMBATÍVEL III: REDENÇÃO Adkins reprisando seu papel de Boyka agora como protagonista.

A trama de O IMBATÍVEL III: REDENÇÃO acontece alguns anos depois do confronto entre Chambers e Boyka, quando este levou a pior, teve a perna quebrada estilo Anderson Silva e podemos ver que os anos não foram tão gentis para ele, que de grande lutador passou a faxineiro de banheiro da prisão. Enquanto isso, um novo rei do esquema de luta local está invicto, sem qualquer oponente à altura. Por dentro, Boyka sabe que poderia dar uns bons chutes na cara do sujeito, mas começa a levar esse pensamento adiante quando surge a oportunidade de participar de um torneio especial de luta clandestina em outra prisão, cujo vencedor ganharia nada mais nada menos que a liberdade. Mas antes, precisa vencer o desafiante local. Uma ajustada no joelho aqui, um corte de cabelo ali e adivinhe quem está pronto para descer a marretada?

A tal prisão, que fica num local qualquer do leste europeu, concentra oito dos maiores lutadores que as penitenciarias de todo o mundo têm para oferecer. E todos vão dar a vida para conseguir a liberdade, enquanto os homens ricos que financiam o evento acabam ficando mais ricos ainda com os resultados das lutas e, óbvio, com a manipulação delas. Os bastidores do torneio é bem explorado, cheio de intrigas, sujeiras entre os realizadores, uma roubalheira descarada! Apesar dos oito lutadores, o filme se concentra em três: obviamente temos Boyka, tentando recuperar seu prestígio de grande lutador, mesmo com as sequelas deixadas em sua luta com Chambers; temos também o campeão de uma prisão colombiana, Raul “Dolor” Quinones (Marko Zaror), que está envolvido com a máfia por trás do torneio; e o convencido campeão americano, Turbo (Mykel Shannon Jenkins).

Boyka acaba fazendo uma espécie de amizade com Turbo, o que é estranho e um bocado instável… Se você já assistiu ao filme anterior e já conhece o personagem sabe que só o fato de conversar com o lutador americano já é um baita progresso social para Boyka, ainda que mantenha a arrogância, o mesmo discurso de se considerar o lutador mais completo do mundo e quer provar isso de qualquer maneira.

Eventualmente temos sequências de lutas por aqui… E, uau, só podemos agradecer aos deuses do cinema pela existência de Isaac Florentine, um diretor que não é apenas dedicado ao gênero de ação e artes marciais, mas também é muito bom em seu ofício. A luta final entre Boyka e Dolor é insana, absolutamente brutal. As cenas de pancadaria foram elaboradas pelo grande Larnell Stovall, que faz uma pequena obra-prima em termos de coreografia de luta, e editadas de forma a enfatizar as relações espaciais e os corpos dos lutadores de maneira realista e ao mesmo tempo cinematograficamente forte, com movimentos de câmera e enquadramentos de cair o queixo.

Scott Adkins nunca deixa de surpreender com o seu atletismo incrível e movimentos nas cenas de luta que simplesmente não parecem fisicamente possíveis. Jenkins, Zaror e Lateef Crowder e seu fenomenal estilo de luta com capoeira também são grandes destaques. Mas mesmo com as sequências de luta excelentes que enchem os olhos do espectador, O IMBATÍVEL III: REDENÇÃO não se acomoda em apenas exibir grandes cenas de porrada. A história, embora leve em substância, mas com uma mensagem clara, é suficientemente boa para levar o filme e torná-lo interessante. E os três personagens centrais, Adkins, Jenkins e Zaror, estão realmente ótimos em seus papéis.

Mas uma das coisas que mais me atrai nos filmes do Florentine é um certo resgate nostálgico que ele faz, remetendo algumas característica às fitas de lutas que faziam a alegria da moçada nas décadas de 80 e 90, a febre dos kickboxer movies, produções estreladas por Van Damme, Loren Avedon, Richard Norton, Gary Daniels, Don “The Dragon” Wilson, Billy Blanks, que passavam exaustivamente na TV ou estavam sempre disponíveis nas locadoras. As histórias eram rasas, mas prendiam a atenção, havia um festival de clichês, personagens estereotipados, mas a pancadaria era de qualidade e sempre tem aquele charme que faz um efeito prazeroso nos fãs.

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2 Comentários

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  • Esse filme é maravilhoso, eu comprei o DVD sem me ligar que era sequência do “O Lutador”, pensei que era só um filme genérico de porrada, me surpreendi muito com a qualidade das cenas de ação!

    Um verdadeiro resgate dos bons (e ruins também haha) filmes de porrada dos anos 90.

  • Um dos filmes mais importantes com temática de arte marcial dessa década.

    Na minha opinião, é o suprassumo e o ápice da parceria entre Scott e Florentine.