Justiceiro – O Anti-Herói mais Truculento das HQ’s (parte 1)

Nenhum outro personagem dos quadrinhos representou melhor a truculência dos heróis durões do cinema de ação como O Justiceiro (The Punisher no original). Inicialmente criado para ser um vilão, o sujeito logo passou a ser um anti-herói que lembrava os icônicos personagens Paul Kersey, vivido por Charles Bronson em DESEJO DE MATAR e Dirty Harry, vivido por Clint Eastwood em PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL e suas continuações. Com o passar dos anos, a influência do cinema de ação dos anos 80 chegaria às HQ’s do personagem, que viraria um action hero tão simbólico quanto Cobra ou John Matrix. E assim, O Justiceiro seguiu emulando características das mais representativas figuras do cinema de ação de cada época, protagonizando algumas historias que superam até mesmo alguns filmes do gênero. Hoje iniciamo a série de matérias JUSTICEIRO- O ANTI-HERÓI MAIS TRUCULENTO DAS HQS, no qual vocês conhecerão toda a trajetória do personagem nos quadrinhos e em outra mídias, até se tornar um ícone da cultura pop.

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O ponto zero da história do vigilante se deu em AMAZING SPIDER MAN #129, de fevereiro de 1974, onde ele aparece como um assassino contratado pelo vilão Chacal para matar o Homem-Aranha. No final, o cabeça de teia só não morre porque o próprio Chacal interfere na missão. O autor da história foi o roteirista Gerry Conway, que na época tinha apenas 19 anos e, curiosamente, já havia criado outro personagem chamado Punisher, um vilão do Quarteto Fantástico. Apesar do desenhista das histórias do Aranha na época ter sido Ross Andru, quem criou o visual clássico do Justiceiro, com a caveira no peito em que os dentes são as balas do cinto, foi o lendário artista John Romita, que na época era diretor de arte da Marvel.

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Graças aos pedidos dos fãs em cartas enviadas para a editora, o personagem voltou a aparecer em histórias do Aranha ainda no mesmo ano. Em 1975, ganhou a sua própria edição da Marvel Preview, revista que tinha como proposta apresentar novos heróis junto ao público para testar sua popularidade antes de investirem num título próprio. Na história, toda em preto e branco, como era o padrão da publicação, Frank Castle já aparecia com a origem clássica que se conhece: sua família era assassinada no Central Park após testemunharem um assassinato e ele partia atrás de vingança, tornando-se o mais mortal vigilante de Manhattan. A bela arte era de Tony Dezuniga, co-criador do icônico personagem Jonah Hex, da DC Comics. Infelizmente a edição não vendeu o suficiente para justificar o lançamento de um título próprio do personagem.

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Apesar da constante comparação com Dirty Harry e Paul Kersey, anos depois o criador do Justiceiro assumiria que a inspiração foi o personagem dos Pulps Mack Bolan, que também era um ex-combatente do Vietnã, que teve a família morta e se tornou um vigilante, lutando contra a máfia.

Nos anos 70 e 80, as aparições do Justiceiro nas histórias do Aranha se tornaram cada vez mais frequentes. O personagem era constantemente retratado como um psicopata. O Justiceiro ganhou um aumento de popularidade quando apareceu numa clássica história do Demolidor escrita por Frank Miller, em que tenta matar traficantes responsáveis pela morte de crianças, mas é impedido pelo “Homem sem Medo”, que argumenta que os criminosos devem ser presos e julgados. Eis que se segue um diálogo brilhantemente escrito, no qual um personagem questiona os valores éticos e morais do outro num momento realmente antológico das HQ’s, que anos depois seria usado como base para um episódio da série do Demolidor na Netflix.

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Em 1985, finalmente o personagem teve uma minissérie pela Marvel. O autor, Steven. Z. Grant, já havia usado o personagem em histórias do Aranha e há anos queria tirar esse projeto do papel. Vendo a onda crescente dos filmes de ação estrelados por protagonistas truculentos fazerem tanto sucesso, a editora acreditou que o momento era oportuno para um voo solo do vigilante. Círculo de Sangue mostrava, em quatro edições, Castle lutando contra o crime organizado como gostava: apertando o gatilho quando bem entendesse, uma vez que não havia nenhum super-herói para censurá-lo ou impedi-lo. Com os desenhos de Mike Zeck, que tinha acabado de sair do enorme sucesso de Guerras Secretas, a mini-série foi um sucesso. Uma curiosidade interessante que vale ressaltar é que a inspiração de Zeck para desenhar o vigilante foi o astro Arnold Schwarzenegger, de quem o artista era fã.

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Em Julho de 1987 saia o primeiro título mensal do personagem: Punisher Nº1 , escrita por Mike Baron (da série Nexus) e desenhada por Klaus Janson (arte-finalista de Batman- O Cavaleiro das Trevas). As principais novidades que a edição apresentava era o hacker microchip, que ajudava Castle fazendo um trabalho de bastidores, além da ideia de que Castle ficasse com o dinheiro de bandidos mortos para financiar a infra-estrutura de sua cruzada contra os criminosos.

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O sucesso do seu primeiro título foi tão grande que no ano seguinte o personagem já ganhava a sua segunda série mensal. Em Novembro de 1988, Punisher War Journal chegava as bancas, com roteiro e arte de Carl Potts e arte final de Jim Lee, que logo viraria o desenhista titular da revista. Apesar de ter uma proposta similar a Punisher, esta nova publicação permitia a participação de alguns super-heróis em algumas histórias, como foi o caso de Wolverine, que participou das primeiras histórias.

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Com o enorme sucesso do personagem, Hollywood começou a se interessar em levar o vigilante mais popular das HQ’s para o cinema, ainda mais após o sucesso de Batman (1989), quando adaptações de gibis pareciam boas ideias com potencial para o lucro. Em 1989, O JUSTICEIRO (The Punisher) é lançado. Produzido pela New World Pictures, o filme trazia Dolph Lundgren na pele do anti-herói. No roteiro (escrito por Boaz Yakin, diretor de FRESH) haviam algumas mudanças, como o fato do personagem não usar a caveira no peito. Além de Castle ter sido transformado em um ex-policial cuja família foi morta por um chefão da máfia que tentava prender. Porém, o filme se mantinha fiel ao espírito do personagem, e também não economizava na violência. A HQ Corporação de Assassinos, que mostrava o Justiceiro enfrentando assassinos japoneses, inspirou parcialmente o filme. Infelizmente, o longa não chegou a ser lançado nos cinemas americanos, contando apenas com um lançamento em VHS na terra do Tio Sam. Segue o trailer do longa abaixo:

Com a boa repercussão do filme em alguns países, no ano seguinte a Nintendo lança The Punisher, o primeiro jogo de videogame do personagem, que tinha o Rei do Crime como o grande chefão. Posteriormente, uma versão para Game Boy também seria lançada. No mesmo ano, o Justiceiro também ganharia um game para PC, no qual haviam três módulos de jogo: dirigindo o furgão de Castle, andando pelas ruas de Nova Iorque, e mergulhando no mar. Abaixo, seguem gameplays de ambos os jogos :

Aqui termina a primeira parte da grande saga de Frank Castle nos quadrinhos e em outras mídias. Na próxima parte, contaremos o sucesso do personagem nos anos 90, mais games, participações em desenhos animados e mais!

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1 Comentário

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  • O Punisher sempre foi meu personagem favorito da Marvel. Acompanho sua trajetória nas HQS desde 1990.
    Parabéns pela matéria. Aguardo ansiosamente pela segunda parte.