Justiceiro – O Anti-Herói mais Truculento das HQ’s (parte 2)

Na primeira parte dessa matéria, contamos a trajetória do Justiceiro desde a origem até as suas primeiras revistas solo. Além da sua chegada ao cinema e aos videogames. Agora vamos analisar sua trajetória nos anos 90, época em que o personagem atingiu o auge de sua popularidade. Em 1990, as vendas de Punisher e Punisher War Journal, suas duas publicações mensais, estavam tão boas, que o personagem ganhou mais três publicações: Punisher War Zone, Punisher Magazine, que trazia republicações em formato maior e em preto e branco , para leitores maiores de idade, e Punisher Armory, que era trimestral e trazia detalhes técnicos de seu arsenal. A segunda acabou virando a primeira mensal do personagem por aqui no Brasil, lançada pela Editora Abril , que até então, publicava as histórias do personagem dentro da mensal Superaventuras Marvel.

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O sucesso também levou ao lançamento de algumas Graphic Novels. Três já haviam sido lançadas no final dos anos 80: Corporação de Assassinos(1988), O Intruso(1989) e O Retorno ao Grande Nada(1989). Essa última reunia novamente a dupla Steven Grant e Mike Zeck, que foram responsáveis pela primeira mini-série do anti-herói, e foi um sucesso de público e de crítica, o que garantiu o lançamento de mais duas nos anos 90: Kingdom Gone (1990, e nunca lançada por aqui) e Sangue na Escócia (1991). Mini-séries do personagem também não eram incomuns nessa época. A primeira delas foi Punisher P.O.V. que trazia o herói protagonizando uma história de horror desenhada pelo mestre do gênero Bernie Wrightson, em parceria com o consagrado Jim Starlin (o criador de Thanos). A história mostrava Castle enfrentando um ativista politico radical que durante o desenvolvimento de uma nova bomba, feita a partir de uma substancia química inédita, foi vítima de uma explosão que o transformou num mutante desfigurado com fator de cura. Depois dessa, se seguiram Summer Special (1991), Back to School (1992), e The Punisher/Captain America: Blood and Glory(1992), em que o vigilante lutava lado a lado com o “Sentinela da Liberdade”. Nos anos seguintes saíram muitas outras mini-séries do personagem.

Em 1990 , a banda Megadeth lançou o àlbum Rust in Peace, que trazia a canção Holy Wars… The Punishment is Due, cuja letra se dividia em duas partes. Enquanto a primeira era uma forte crítica a guerra entre Israel e Palestina, a segunda parte falava sobre o Justiceiro em versos como “Faça a guerra contra o crime organizado… ataques sorrateiros, repelem as pedras… atrás das linhas”. A música acabou virando um clássico do Heavy metal, e Frank Castle teve uma homenagem a sua altura. Vocês podem ouvir a música e ler a letra no vídeo abaixo:

Nos anos 90, os crossovers entre personagens também eram muito comuns, e o Justiceiro estrelou vários. O primeiro deles foi Motoqueiro Fantasma, Wolverine e Justiceiro: Corações Negros, de 1991 . Em seguida, vieram encontros com a Viúva Negra, Homem-Aranha, Dentes de Sabre, e até personagens de outras editoras como Archie e Batman, com o qual teve dois encontros. Suas participações em revistas de outros personagens também eram cada vez mais comuns, chegando ao cúmulo dele aparecer na revista do Quarteto Futuro, que era voltada ao público infantil!

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Em 1991, o Justiceiro voltou aos games em The Punisher: The Ultimate Payback, para Game Boy. Mas o seu grande sucesso nos consoles viria em 1993 com The Punisher, jogo de fliperama lançado pela Capcom que era inspirado em Final Fight, da própria empresa. No jogo, se podia controlar Castle e dar sopapos nos inimigos até pegar armas pelo chão e poder fuzilá-los. O grande vilão era o rei do Crime, e além de Castle, era possível lutar com Nick Fury. Abaixo seguem os gameplays de ambos os jogos.

 

Em 1992, foi criada a linha Marvel 2099, que apresentava um futuro distópico onde vários personagens da editora tinham sua contraparte. Apesar dos mais famosos terem sido Homem-Aranha e X-men, o Justiceiro também ganhou sua versão futurista. Num universo onde até a polícia cobrava da população para fazer seu serviço, a existência de um vigilante era bem plausível. Apesar do sucesso inicial, a linha começou a apresentar baixas vendas com o tempo e acabou em 1996.

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Nessa época, o autor mais importante que o personagem teve foi Chuck Dixon. O roteirista, que ficou famoso por ter “aleijado o Batman” na saga A Queda do Morcego, antes de assumir os quadrinhos do protetor de Gotham City, teve um prolífico trabalho nos títulos do Justiceiro. Seu primeiro trabalho com o anti-herói foi em 1990 na Graphic Novel Kingdom Gone, e no ano seguinte, ele assumiu a mensal The Punisher. A editora ficou tão satisfeita com seu trabalho, que no ano seguinte ele assumiu os roteiros de Punisher War Zone e Punisher War Journal , e ficaria nos três títulos até 1995, quando sairia para trabalhar para a DC. Em seus anos com o personagem, Dixon colaborou com vários desenhistas, sendo o mais importante deles, John Buscema, uma verdadeira lenda, que trabalhou com praticamente todos os personagens Marvel e produziu uma icônica e longeva fase do Conan, em parceria com o também lendário Roy Thomas. Do trabalho de Buscema a frente do anti-herói, se destaca a história A Man Called Frank em que vemos uma versão alternativa de Frank Castle, que é um cowboy vingando o assassinato de sua família no velho oeste.

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Em 1995 , O Justiceiro fez uma participação na série animada do Homem-Aranha, produzida pela Marvel Productions, a produtora de animações da editora. No episódio duplo Morbius, ele caçava o clássico vilão vampiresco do Homem Aranha. Foi a sua segunda incursão nos desenhos animados, pois a primeira havia sido alguns anos antes no episódio “Mojovisão” da série animada dos X-men, onde uma duplicata robótica dele aparece como um desafio criado pelo vilão Mojo para Ciclope e Jean Grey. Infelizmente, a participação no desenho dos X-men não é fácil de ser encontrada na rede, mas a no desenho do aracnídeo segue abaixo :

A partir de 1995, a indústria de quadrinhos foi atingida por uma forte crise. Como consequência disso, vários personagens perderam títulos mensais, e com o Justiceiro não foi diferente. Em 1995, o personagem teve seus três títulos mensais cancelados. O título Punisher voltou com a numeração zerada e com uma trama em que o personagem – pasmem – virava chefe de uma família criminosa. O título durou até 1997, mas foi cancelado porque não caiu nas graças do público, apesar de ter roteiros de John Ostrander, que era cultuado na época por ter reformulado O Esquadrão Suicida para a DC .

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Em 1998, a Marvel cria a linha editorial Marvel Knights, destinada a criar histórias para um público mais velho, principalmente adolescentes de 16 a adultos de 21 anos. Dentro da nova linha, o vigilante ganha uma mini-série em 4 edições, escrita por Christopher Golden e Tom Sniegoski e com desenhos do mestre do horror Bernie Wrightson, em que o personagem se suicida e volta à vida com poderes sobrenaturais. Essa versão do personagem também ganhou uma mini-série em conjunto com Wolverine. A nova iniciativa foi um grande fracasso de crítica e de público, afinal de contas os fãs queriam ver o antigo Frank Castle de volta, que simplesmente era um vigilante que eliminava criminosos. Foi então que os editores tomariam uma atitude que revolucionaria o personagem para sempre: Chamariam Garth Ennis e Steve Dillon, a dupla responsável por Preacher, para assumir o personagem na entrada do novo milênio. Mas essa é uma história para a próxima parte de nossa matéria. Até lá!

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Na terceira parte da matéria abordaremos a bombástica chegada do Justiceiro ao século XXI!

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1 Comentário

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  • Ótima matéria! Eu gosto muito do Justiceiro, mas confesso que li pouco das sagas dele dos anos 90, várias boas dicas nesse texto.
    Após essa saga do Justiceiro celestial tem muita coisa boa, mas imagino que vai abordar na próxima parte 🙂