Justiceiro – O Anti-Herói mais Truculento das HQ’s (parte 3)

Na segunda parte dessa série de matérias, mostramos a trajetória do Justiceiro, o vigilante mais famoso dos quadrinhos nos anos 90, do seu crescente sucesso e até a sua queda, quando a crise da indústria dos quadrinhos o atingiu. Com a chegada nos anos 2000, o personagem passaria pela maior reformulação da sua carreira, e o responsável por isso foi uma verdadeira lenda dos quadrinhos: Garth Ennis.

Buscando por autores que pudessem inovar os personagens da linha Marvel Knights, que foi criada dois anos antes, o editor Joe Quesada procurava criadores que fossem ousados e tivessem um trabalho mais autoral, que fugisse dos padrões da indústria. O escocês Garth Ennis, naquele momento, era um dos nomes mais polêmicos do mercado, devido ao seu trabalho genial, blasfemo e politicamente incorreto em Preacher, além de outros títulos da Vertigo como Hellblazer, Hitman e Etrigan. Fã do autor, Quesada viu que o seu gosto por violência gráfica e humor negro se encaixaria bem no Justiceiro, e o contratou para, inicialmente, fazer uma mini-série do personagemque varreria para baixo do tapete os seus dias de “anjo” e daria sangue novo ao anti-herói da Marvel.

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Em Abril de 2000, chegava às bancas The Punisher com a história “Bem vindo de volta, Frank”, que, em 12 edições, mostrava Frank Castle lutando contra a chefe da máfia Mama Gnucci, enquanto vivia num prédio humilde de Nova York e convivia com vizinhos excêntricos como Spacker Dave, que tinha o rosto coberto por piercings; Sr. Bumpo, um homem obeso, que as vezes ficava entalado na porta de seu apartamento; e Joan, mulher solitária e depressiva, que era apaixonada por Castle. Completavam a lista de personagens peculiares o policial loser Soap, e o assassino Russo, que era responsável por momentos tão absurdos quanto impagáveis. Desenhada por Steve Dillon (parceiro de Ennis em Preacher), a mini-série foi um grande sucesso de público e crítica. Isso permitiu que no ano seguinte a dupla assumisse uma nova revista mensal do personagem, com o mesmo título, que seria igualmente bem sucedida.

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Com o tempo, alguns arcos da revista seriam assumidos por outros desenhistas, como Derrick Robertson, Cam Kennedy e Tom Mandrake. Mas Dillon era o colaborador mais frequente de Ennis. Não economizando na violência gráfica e no humor negro, Ennis criou histórias memoráveis, e os fãs logo o considerariam o melhor autor a ter passado pela trajetória do Justiceiro. Porém, alguns leitores mais antigos reclamavam do escracho excessivo de algumas histórias, como a em que Castle e Wolverine enfrentam um exército de mafiosos anões (imagem abaixo), e outra em que Castle vence O Demolidor, o Homem-aranha e Wolverine da forma mais debochada e humilhante possível. Por outro lado, Ennis era capaz de imprimir seriedade e tom pesado a algumas histórias, como A Irmandade, sobre violência policial e doméstica, por exemplo.

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Outro parceiro importante de Ennis foi o capista Tim Bradstreet, que criou um estilo visual que ficaria pra sempre associado ao personagem, da mesma forma que as capas de Glenn Fabry definiram Preacher. o que demostrava uma preocupação de Ennis com o trabalho gráfico.

Com a febre de filmes baseados em HQ’s no inicio dos anos 2000, o Justiceiro acaba ganhando o seu segundo longa-metragem em 2004. Com Thomas Jane (O NEVOEIRO) no papel principal, O JUSTICEIRO adaptava parcialmente o primeiro arco de Ennis, com direito a presença de Spacker Dave, Joan, Bumpo e o Russo. A outra grande fonte do roteiro foi Justiceiro Ano Um, que mostra a origem de Castle. Apesar de ser cheio de idéias boas, o roteiro do filme apresenta muitos problemas, com um problema grave de tom, falhando em equilibrar o humor negro com o tom mais sério. Sem contar a decisão de mudar a área de atuação do personagem de Nova York para Tampa, na Flórida, sem nenhum motivo lógico para tal. No seu lançamento, recebeu críticas negativas e a recepção do público foi morna. Porém, depois o filme conseguiu fazer uma carreira lucrativa no mercado de DVDs , numa época em que esse tipo de produto ainda era viável …

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O ano de 2004 marca outro momento importante para o personagem: sua revista passa a ser lançada pelo selo MAX, que é especializado em histórias adultas. Nessas histórias, o Justiceiro não interage com outros personagens do universo Marvel, e Ennis assume um tom mais sério e seco nos roteiros, atingindo seu auge com o anti-herói. O autor também usou o título pra redefinir a origem do personagem no arco Born, em que mostra que a sede de sangue do Justiceiro tinha começado já no Vietnã, anos antes de sua família ser assassinada. Uma das características mais marcantes de Punisher Max era a violência gráfica, que aparecia de forma mais brutal do que no trabalho anterior de Ennis com o anti-herói. Um bom exemplo é segundo arco, No Princípio, que começava com um sangrento massacre no aniversário de um mafioso, onde era mostrado, em detalhes, entranhas caindo ao chão, cabeças sendo estouradas, etc (a imagem abaixo ilustra o nível de violência gráfica que a revista mostrava). No título, Ennis também pôde denunciar muitos problemas do mundo real, como tráfico humano, misoginia, e corrupção nas mais diferentes esferas, desde policial até na CIA, passando pela alta cúpula do exército. Outro mérito da HQ foi ter nos apresentado a dois vilões antológicos: o mafioso Nicky Cavella e o assassino Barracuda. O sucesso desse segundo foi tão grande que ele ganharia uma mini-série, também pela linha MAX, e de autoria de seu criador. Em 2009, Ennis abandona o personagem, após 8 anos de um trabalho inesquecível.

Em 2005, o Justiceiro ganha mais um jogo de videogame, agora inspirado na fase de Ennis e no filme de 2004, em que o próprio Thomas Jane fez a voz do personagem. O jogo foi criado pela empresa Volition Inc. e era direcionado a adultos, devido a violência. Confira abaixo :

Em paralelo às histórias adultas do personagem, em 2007 a marvel resolve recriar o título Punisher: War Journal, com histórias em que Castle interage com outras figuras da editora, como Hulk , Homem-aranha, Capitão America, etc. Matt Fraction e Rick Remender ficavam à frente dos roteiros. A revista teve boas vendas.

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Em 2008, é lançado JUSTICEIRO – ZONA DE GUERRA, o terceiro filme do personagem, trazendo Ray Stevenson na pele do anti-herói . O roteiro misturava elementos do segundo e do terceiro arco de Punisher Max com algumas histórias da fase Marvel Knights, e trazia seu arqui-inimigo Retalho como vilão. O filme se diferenciava dos anteriores por trazer mais violência gráfica, o que fez com que ganhasse a classificação indicativa 18 anos nos EUA. Apesar disso, o roteiro, assim como aconteceu no filme anterior, trazia problemas de tom, misturando momentos genuinamente sombrios e adultos, com outros que beiravam a auto paródia, como a cena em que o vilão anda marchando nas ruas sem menor motivo aparente. O filme não agradou nem aos leitores da faze MAX, nem ao público médio, e o baixo desempenho nas bilheterias fez com que o personagem passasse alguns anos sem ser levado as telas novamente.

Nos quadrinhos, com o sucesso de War Journal, o personagem ganhou mais uma série, Punisher, em que Rick Remender assumiu os roteiros e primeiro redefiniu sua missão, fazendo com que ele só executasse supervilões. Em seguida, criou o famigerado arco Frankencastle, em que Frank morre e vira uma versão vigilante do monstro criado por Mary Shelley. A fase foi odiada pelos fãs e durou “apenas” um pouco mais de um ano, terminando em novembro de 2010.

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Em 2 de Julho de 2009, o Justiceiro ganhou mais um game, agora para Playstation 3. Desenvolvido pelo Zen Studios e lançado pela Sony Computer Entertainment, o jogo conta com a presença de alguns personagens do Universo Marvel como Dum Dum Dugan, Nick Fury, Yelena Belova (a segunda Viúva Negra), e Outlaw. Confira abaixo:

Na Próxima e última parte dessa série sobre O Justiceiro vamos contar a trajetória de Castle de 2010 até os dias atuais. Até Lá!

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1 Comentário

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  • Tem gente que nasceu para escrever um personagem ou equipe e acabam viram clássicos: Garth Ennis/Justiceiro; Frank Miller/Demolidor; Alan Moore/Monstro do Pântano; Jason Aaron/Thor………