LADY WHIRLWILD (1972): Mostra Kung Fu Cinema

O grande destaque do primeiro dia da Mostra Kung Fu Cinema foi, sem dúvida, o clássico basher LADY WHIRLWILD, dirigido por Feng Huang. Quando o filme começa, um sujeito chinês chamado Ling Shih-hua (Chang Yu) é espancado pelos capangas de Tung Ku (Pai Ying), um japonês que comanda vários esquemas ilegais numa pequena cidade na China. Não fica muito claro porque batem em Ling com tanta gana. O sujeito deve ter feito uma merda bem séria… Mas seus ferimentos são graves o suficiente para que seus algozes o deixem coxo na praia, presumindo que já está morto. Como na parábola do bom samaritano, Ling acaba encontrado por uma jovem, que leva-o para casa, cuida de seus ferimento e lhe alimenta. Mas a relação com parábola para por aqui. Uma vez que a saúde é restaurada, Ling jura vingança sobre aqueles que tentaram matá-lo.

Enquanto isso, uma jovem chamada Tien Li-Chun (Angela Mao) tem sua missão pessoal para resolver. E envolve o pobre Ling. No passado, Ling largou a irmã grávida de Tien, que passava por um período difícil e acabou levada ao suicídio. Tien culpa, portanto, Ling pela morte de sua irmã e está empenhada em pagá-lo na mesma moeda. Vale destacar que a moça luta pra cacete! Isso fica bem claro quando ela chega a um dos cassinos de Tung procurando por Ling e destroça sozinha uma quantidade numerosa de capangas. Quando Tien finalmente encontra Ling, ela tem a benevolência de dar-lhe alguns dias para procurar seus desafetos e tentar sua vingança. E é o que ele faz, só que mais uma vez é brutalmente derrotado.

Desta vez, no entanto, Tien vem ao seu socorro, salva sua vida e encara Wen (Chin Yuet-Sang), um mestre karateca amigo de Tung, vindo direto do Japão. Mesmo tendo feito isso, ela ainda tem sede de vingança contra Ling, que foge. No caminho, conhece um ancião que teve a perna picada por uma cobra. Ling leva o velho para as ruínas de um templo chinês e consegue um antídoto para o veneno. Como retribuição, o velho entrega a Ling um caderninho com segredos lendários de artes marciais. Em apenas um dia, com um treinamento intensivo, Ling bate o recorde aprendendo novas técnicas. E já está preparado para tentar mais uma vez enfrentar Tung. Mas e Tiang? Ela será capaz de perdoar Ling pelo que ele fez? Ou vai seguir até o fim com a sua jornada de vingança?

Produzido pela Golden Harvest, LADY WHIRLWILD é simplesmente frenético. Tudo no roteiro leva à cenas de luta, que são sangrentas e bastante sólidas, embora não tenha um rigor na elaboração das coreografias, que é o que caracteriza o basher, um subgênero do cinema Kung Fu. Este estilo é justamente definido pelas coreografias menos sofisticadas e mais focado nas porradas grosseiras. Diferente do estilo que habitualmente aparece nos filmes da produtora rival, a Shaw Brothers. E é nesse quesito que Angela Mao dá um espetáculo em suas exibições de violentos golpes contra vários oponentes. Chang Yu também tem muito tempo de tela e acaba demonstrando alguns movimentos impressionantes. Especialmente na sequência que se passa nas ruínas do templo, ou no seu último duelo contra Tong. Um jovem Sammo Hung, em início de carreira, também marca presença como coadjuvante de luxo.

Como filme de época, LADY WHIRLWILD apresenta alguns cenários decentes, todo filmado em locação. Bem aproveitado pelo diretor Feng Huang, que tem muita noção de enquadramento, sempre ousando na composição dos quadros. Além de ser muito eficiente nas sequências de ação, abusando das pancadarias de modo visceral e com bastante energia.

Curioso que LADY WHIRLWILD também recebeu o título DEEP THRUST em solo americano. Uma tentativa inusitada de aproveitar o sucesso que o filme pornô DEEP THROAT (1972) fazia na época.

E a Mostra Kung Fu Cinema continua até o dia 16 de abril. Clique aqui e confira a programação.

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