REVIEW: LOGAN (2017)

Os filmes solos do Wolverine até agora foram simplesmente lamentáveis. Mas desde os primeiros trailers de LOGAN, de James Mangold, já se tinha a sensação de que dessa vez os caras acertaram. Parecia qualquer coisa, menos um filme genérico como foram os anteriores. O visual de Hugh Jackman como Wolverine envelhecido, a canção de Johnny Cash, um certo tom, personalidade…

Agora que vi o filme já posso dizer que, de fato, acertaram em cheio! Não que seja uma obra-prima, mas com certeza é o filme  que os fãs de X-Men e do personagem estavam esperando. Um dos primeiros detalhes que apontam pra isso surge logo nos primeiros minutos. Um Logan acabado, bêbado, velho, dormindo no banco de trás do seu carro, percebe que estão roubando-lhe as rodas do veículo. Após levar um tiro e deixar seu fator de cura agir sobre a ferida, Wolvie ataca o grupo e… PIMBA! Garras de adamantium cravadas na fuça de um sujeito, de forma explícita, sem cortes!

É óbvio que não é a quantidade de sangue derramado que legitima um bom filme. Se perguntar a seja lá quem for o que faltou nos outros filmes do Wolverine, muitos vão dizer que precisava de um roteiro melhor, personagens mais bem escritos, cenas de ação mais competentes e excitantes… No entanto, em algum momento alguém vai dizer: “o que realmente faltou nos filmes anteriores foi sangue e gore“. Embora seja um caso estranho esse fato, já que Wolverine utiliza garras afiadas para perfurar e fatiar seus adversários. E mesmo assim, suas lâminas de adamantium sempre permaneciam limpinhas e brilhantes. Seja nos filmes solos do personagem, seja na sua participação em qualquer filme dos X-Men. Finalmente, o público foi tratado como adulto em LOGAN, primeiro filme de Wolverine verdadeiramente visceral e violento. E curiosamente o que mais deu atenção também aos outros aspectos. LOGAN é o filme definitivo de Wolverine. Sombrio, maduro, reflexivo, destrutivo… Humano!

Estamos em 2029 e, por alguma razão, mutantes não estão mais nascendo há uns bons anos. Logan (Jackman) cuida de um envelhecido professor Xavier (Patrick Stewart), que agora sofre de uma doença cerebral cujas convulsões afetam às pessoas a sua volta. Logan já está prestes a chutar o balde. Seu fator de cura já não funciona tão bem quanto antes e o sujeito enche a cara todos os dias para segurar as pontas. E mantém uma bala de adamantium por perto, o único projétil no mundo que poderia estourar seus miolos, caso sentisse vontade de descansar de vez. Sua única esperança é juntar dinheiro para comprar um barco e viver em alto mar com o professor, onde não causaria problemas a ninguém. Então aparece a garotinha Laura (Dafne Keen) com uma mutação semelhante a de Logan, sendo procurada por mercenários, e a vida ganha outro sentido. Junto com Xavier e Laura, Logan põe o pé na estrada.

Numa espécie de núcleo familiar, Logan começa a renovar sua fé em encontrar a paz e a serenidade no meio do caos. Vendo o que as vidas de Logan e Charles se tornaram, faz com que a inusitada “viagem de família” com Laura seja ainda mais sentimental. A química entre Jackman e Stewart nunca foi melhor e há até espaço para alguns momentos sinceros e cômicos em LOGAN. Em sua décima e última vez que interpreta Wolverine, o desempenho de Jackman é um primor. Eu era um adolescente de 17 anos quando fui assitir ao primeiro X-Men nos cinemas e, desde então, venho acompanhando ao longo dos anos o desempenho do sujeito como Wolverine, sempre com um toque amargo, mas divertido e carismático. Em LOGAN podemos ver um lado diferente, extremamente sombrio e melancólico. E Jackman nunca esteve tão bem. É o seu canto de cisne. A ideia agora de outro ator fazendo Wolverine é um bocado preocupante, mas ao mesmo tempo, LOGAN é um testamento para Jackman, que tem plena consciência que parou no momento certo. Em alto nível.

James Mangold imprime personalidade e intensidade numa história simples, mas com muito sentimento e bem contada. Curioso que Mangold foi responsável pelo filme anterior de Wolvie, THE WOLVERINE (2013), que ele anunciava como sendo mais cerebral, dark, e no fim das contas era tão ruim e genérico quanto ao primeiro. O que, na verdade, era um bocado estranho, porque Mangold é um diretor, digamos, mais autoral do que os pau-mandados que geralmente assumem essas produções super controladas por estúdios. Em LOGAN estão lá algumas características do diretor, como por exemplo as inúmeras referências ao western. E Mangold manda bem nas sequências de ação. O sujeito se aproveita da alta classificação indicativa e promove um banho de sangue sempre que possível, com muita carne dilacerada, membros decepados e cabeças cortadas rolando no chão. Wolverine nunca usou tão bem suas garras de adamantium para perfurar seus oponentes quanto em LOGAN, algo que nas suas aventuras PG-13 só ficava na sugestão.

Há um longo ano cinematográfico pela frente ainda, mas não é difícil já imaginar LOGAN em algumas listas de melhores filmes de 2017. É uma obra reflexiva, apropriadamente violenta, substancial e emocional, que contém desempenhos impressionante do seu elenco em todos os sentidos, especialmente de Jackman. LOGAN é o tipo de filme que confunde a cabeça dos elitistas, que não conseguem entender um filme baseado em quadrinhos transcendendo o entretenimento básico ou oferecendo conexões pessoais a personagens bem trabalhados. LOGAN é excepcional como cinema, independente da fonte, e uma perfeita despedida para Hugh Jackman após 17 anos de mandato como Wolverine.

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