Dissecando FLORENTINE – Parte 8: O LUTADOR (2006)

Antes de falar sobre o filme do Isaac Florentine, vale a pena falar um pouco sobre O IMBATÍVEL, que é o primeiro capítulo dessa série que o diretor Israelense assumiu o controle em 2006. Ambos os filmes se passam em prisões e envolvem lutas “profissionais” entre os encarcerados, mas o resultado de cada produção é bem diferente uma da outra. O IMBATÍVEL é dirigido por ninguém menos que Walter Hill. Portanto, é cinema classudo, sério, focado em personagens bem talhados e com a direção extremamente segura que lhe é habitual.

Na trama, temos Wesley Snipes na pele de Monroe Hutchen, campeão de boxe de Sweetwater, uma prisão de segurança máxima que promove legalmente lutas entre presos. Ving Rhames é George Iceman Chambers, o campeão mundial dos pesos pesados que acabou de ser condenado por estupro, numa óbvia inspiração a Mike Tyson, e acaba encarcerado em Sweetwater. É claro que dois sujeitos desse calibre não dividem o mesmo espaço pacificamente e para nossa felicidade vão ter que trocar alguns socos pra decidir quem realmente é o melhor.

Wesley Snipes tem desempenho inspirado, mas seu personagem não é tão explorado quanto o Iceman de Rhames. Este aproveita para entregar uma excelente performance. Arrogante, cínico e violento, logo estamos torcendo para que o Sr. Hutchen lhe meta a mão na fuça. O elenco ainda conta com nomes de peso, como Michael Rooker, o carcereiro chefe e juiz das lutas; Wes Studi, companheiro de cela de Iceman Chambers; Fisher Stevens, o “técnico” de Monroe; E o velho Peter Falk, uma das figuras mais interessantes em cena, um prisioneiro com certas regalias, profundo conhecedor de boxe, aquele espécie de personagem que gostamos de encontrar em certos tipos de filmes…

Walter Hill já possui experiência em filmar pancadaria. Ao longo de uma carreira digna de um mestre de ação, dirigiu o clássico LUTADOR DE RUA, com Charles Bronson distribuído murros em brigas clandestinas logo na sua estreia como diretor. Em O IMBATÍVEL não temos lá uma vasta quantidade de sequências de combates, mas todas as lutas são muito bem cuidadas e editadas, garantem um bom espetáculo para acompanhar as excelentes atuações.

Quatro anos depois, Isaac Florentine resolveu dirigir um projeto que continuava O IMBATÍVEL de alguma maneira. Produzido pela Nu Image, o filme que ganhou o título de O LUTADOR no Brasil é mais focado no quebra-pau mesmo. Não esperem, portanto, personagens complexos, densidade na trama ou preocupações verossímeis. Mas se você estiver num daqueles dias em que estes probleminhas não fazem muita diferença e o que vale mesmo é uma boa coreografia entre lutadores trocando sopapos, então este aqui é uma excelente pedida!

Iceman Chambes, agora encarnado por Michael Jai White, está na Rússia fazendo comercial vagabundo em troca de dinheiro para pagar as contas. Mas após uma armação desgraçada pra cima dele, o sujeito vai parar no xadrez novamente por posse de uma grande quantia de drogas. Uma desagradável prisão russa é o cenário onde um campeão de artes marciais local quer desafiá-lo. Tudo faz parte, na verdade, de um plano da máfia russa para ganhar uma boa grana em apostas por esta luta.

Pela proposta deste segundo filme, Jai White substitui Rhames à altura. Até porque exige muito mais do físico do ator do que de uma atuação brilhante como foi a do Rhames no primeiro. E Jai White faz aquilo que sabe, não é lá muito expressivo, mas está tão à vontade no personagem, esbanjando carisma, que não chega a fazer falta uma interpretação mais exigente. Uma diferença drástica que o personagem sofre do primeiro filme para este é que agora ele é o “mocinho”. Mas é outro sujeito que chama a atenção por aqui… O LUTADOR é o filme que apresenta um dos personagens mais incríveis e badasses do cinema de ação atual, o inigualável Yuri Boyka. E quem está surpreendente é o Scott Adkins, habitual colaborador de Florentine, mandando muito bem nas cenas de ação, ganhando uma chance de ouro para construir esse personagem fascinante que é Boyka, o oponente que Iceman terá de enfrentar.

As sequências de porrada de O LUTADOR são de encher os olhos. Se não temos mais a classe do Boxe de Walter Hill, temos um Florentine visual, com um estilo de luta mais plástico. O sujeito já havia chegado ao ápice em filmar sequências de combates corporais em SPECIAL FORCES, mas aqui ele amadurece ainda mais seu olhar e evolui o estilo próprio com enquadramentos, movimentos de câmera e de atores, coreografia, edição, de uma forma singular, no qual poucos conseguiram igualar no cinema americano atual (talvez o John Hyams nos seus filmes da série SOLDADO UNIVERSAL).

Em 2010, a série ganhou um novo capítulo, novamente sob o comando de Florentine e desta vez tendo Boyka como protagonista em O IMBATÍVEL III – REDENÇÃO. E em 2017 tivemos o prazer de ver BOYKA: UNDISPUTED, com Adkins reprisando seu personagem pela terceira vez. Uma resenha desse último pode ser conferida aqui.

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