McQUADE – O LOBO SOLITÁRIO (Lone Wolf McQuade, 1983)

McQUADE – O LOBO SOLITÁRIO é um CLÁSSICO dos filmes de ação casca-grossa dos anos 80. Assim mesmo, em letras garrafais.

Eis seis motivos, em ordem crescente, que justificam sua importância:

  • O filme não é apenas um western moderno, mas uma homenagem declarada ao spaghetti western, em especial à Sergio Leone. Coloque na soma a trilha do italiano Francesco de Masi (VOU, MATO E VOLTO, THE NEW YORK RIPPER), que em muitos momentos emula o Mestre Ennio Morricone.
  • O filme tem no elenco L. Q. Jones, veterano durão da turma de Sam Peckinpah, trabalhou inclusive no emblemático MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA.
  • O roteiro passou pelas mãos de John Milius, que acabou não sendo creditado. Curiosamente, um roteiro de Milius com temática semelhante acabaria sendo filmado quatro anos depois: O LIMITE DA TRAIÇÃO, de Walter Hill.
  • Barbara Carrera está no seu auge.
  • O confronto final aqui é entre dois mitos: o vilão David Carradine, então astro de TV da série KUNG FU, contra o herói, o astro em ascensão Chuck Norris. Este combate só não é mais icônico do que a luta entre o próprio Norris (na condição de vilão) com Bruce Lee em O VÔO DO DRAGÃO.
  • Se os demais motivos não lhe convenceram do porquê do status de clássico dessa obra, eis o mais relevante, a prova de que McQUADE – O LOBO SOLITÁRIO é um marco, um divisor de águas na história do cinema: pela primeira vez Chuck Norris usa sua emblemática barba. Primeiro ele aparecia de cara limpa (o já citado O VÔO DO DRAGÃO e O COMBOIO DA CARGA PESADA), depois ele investiria num bigode de bicheiro (OCTAGON – ESCOLA DE ASSASSINOS, FÚRIA SILENCIOSA, VINGANÇA VIOLENTA, etc). Aqui, Norris não só apresenta seus golpes mortais de caratê, como usa a carranca barbuda que o consagraria. A gênese do ícone está completa.

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Em McQUADE – O LOBO SOLITÁRIO temos Chuck Norris como J. J. McQuade, um ranger durão, lacônico, bom de tiro e bom de briga, mas um lobo solitário, que não gosta de coisas como trabalho em grupo, de seguir as regras e aparentemente nem de banho. Ele mora numa casa tão imunda quanto o carro que dirige e as roupa que veste, pratica tiro ao alvo no quintal de casa e ainda tem um lobo de estimação.

Já no começo do filme, McQuade enfrenta um bando de mexicanos ladrões de cavalos, salvando ainda uns policiais que estavam de reféns dos bandidos. Nosso herói ainda encontra tempo para tirar um sono durante um evento em homenagem ao seu amigo Dakota (L. Q. Jones, que entra em cena com um visual que é um cosplay do velhinho da rede de fast-food Kentucky Fried Chicken). Após a celebração, nosso herói leva o tradicional esporro do chefe, que lhe empurra um parceiro para o serviço de patrulhamento, o jovem Kayo (Robert Beltran, que depois trabalharia na tv em séries como STAR TREK: VOYAGER), que foi um dos policiais salvos pelo lobo solitário no mesmo dia!

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Curiosamente descobrimos que McQuade não só tem uma ex-esposa, como também uma filha adolescente, Sally (Dana Kimmell de SEXTA-FEIRA 13 – PARTE 3).

E é numa festa local, durante a folga, que nosso herói leva sua filha e lá conhecem Lola Richardson (a bela nicaraguense Barbara Carrera que no mesmo ano seria Bond Girl em NUNCA MAIS OUTRA VEZ), por quem McQuade se encanta. O problema é que a moça tem relação com Rawley Wilkes (David Carradine), um playboy local que gosta de exibir suas aptidões em artes marciais. Claro que isto não impede que a moça e o ranger engatem um romance. Destaque para a cena em que McQuade chega em sua casa e encontra Lola fazendo uma surpresa: uma faxina geral, e o pior, para desespero de nosso protagonista, sua namorada colocou vitaminas na geladeira, no lugar das costumeiras cervejas! Realmente tenso.

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O caldo engrossa quando, numa noite, Sally está com seu namorado num carro no meio do deserto, provavelmente sem o conhecimento do pai, quando testemunham a ação de criminosos, que estão interceptando um caminhão do exército. Os bandidos não só matam o namorado da moça, como atiram seu carro barranco abaixo. Detalhe: com a moça dentro. Para piorar, na caça aos culpados McQuade captura uma testemunha, que deixa aos cuidados de seu velho amigo Dakota, mas ambos, amigo e testemunha, acabam mortos pelos vilões.

Afastado da polícia, McQuade contará com seu parceiro Kayo, que na prática mais atrapalha que qualquer outra coisa, e um agente do FBI (Leon Isaac Kennedy) para ir atrás dos bandidos. Que são, na verdade, uma quadrilha internacional de contrabandistas de armas, que vendem seus produtos, obviamente, para grupos guerrilheiros subversivos da América Latina. A essa altura todos sabem que o cabeça da organização é Rawley Wilkes, que acaba sequestrando a filha de nosso herói. O resgate acontecerá em terras mexicanas, com direito a tiros, explosões, dublês voando pelos ares e, claro, a tão esperada luta entre os dois personagens centrais. Antológica e bem coreografada, não tem como não torcer para que McQuade derrote Wilkes de uma vez. Sobre esta cena, Chuck Norris mais tarde soltaria está farpa: “David Carradine é tão bom em artes marciais quanto eu sou um ator”.

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Levando em conta que McQUADE – O LOBO SOLITÁRIO foi escrito para ser um veículo para o ator e cantor country Kris Kristofferson, acabou catapultando Norris, cujo papel lhe caiu como uma luva.

A direção é conduzida com firmeza por Steve Carver, diretor que há muito largou o cinema e hoje se dedica a fotografia artística. Antes deste filme ele já tinha dedicado mais de um década ao cinema exploitation. Começou com um curta baseado no conto The Tell-Tale Heart, de Edgar Allan Poe. Já tinha trabalhado anteriormente com David Carradine, em CHARLIE, O TRAMBIQUEIRO, e com Chuck Norris, em OLHO POR OLHO, seu filme anterior à McQUADE – O LOBO SOLITÁRIO. O diretor também realizou dois filmes de gângster: a comédia A MULHER DA METRALHADORA, com Angie Dickinson, e a biografia CAPONE, O GÂNGSTER, com Ben Gazzara no papel-título e um novato Sylvester Stallone como o executor Frank Nitti, um dos queridinhos do mafioso mais famoso de todos.

“McQuade – O Lobo Solitário” tem todos os elementos para satisfazer o mais rigoroso fã de filmes de ação. Aliás, um dos melhores do gênero nos anos 80 e um dos melhores trabalhos de Chuck Norris.

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4 Comentários

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  • Esse filme é classico do cinema de ação foi o sexto filme á ser exibido na sessão de filmes do recem inaugurado ” Cinema em Casa ” em 30/09/1988 e depois ele reprisado muitas vezes pelo o SBT, tanto na noite quanto nas tardes .. pena que nunca mais ele foi exibido na TV Aberta ,foi lançado em VHS pela á extinta Globo Video e em DVD pela M.A Video dublado com á sua dublagem original de quando era exibido na TV com as vozes de Chuck Norris do falecido Darcy Pedrosa e David Carradine voz do tambem falecido dublador do Stallone inclusive André Filho…. Classico indispensavel para fãs do genero ,um abraço de Anselmo Luiz.

  • Adoro esse filme, mas convenhamos esse comentário do Chuck Norris cheira a desdem por mais de uma matéria ter comentado que ele pediu para o Caradine “pegar mais leve”. David Caradine antes de Kung Fu treinou boxe e na época de Mcquade ele treina Tai Chi e Chi Kung, estilos mais interiores. Lógico que ele não tinha a perícia de Norris, mas mesmo sem coreografo ele não desapontava.