MORTAL KOMBAT (1995) | REVIEW

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Não lembro a última vez que assisti a MORTAL KOMBAT, segundo trabalho de Paul W.S. Anderson. Mas lá nos meus doze, treze anos, era um verdadeiro espetáculo! Eu não era assim um grande fã do jogo (preferia Street Fighter), mas dava os meus “Fatality” de vez em quando. Além disso, sempre adorei filmes de luta, não perdia uma Sessão Kickboxer na Band… Bons tempos… Como basicamente, no fim das contas, MORTAL KOMBAT não deixa de ser apenas um filme de luta, com alguns incrementos a mais, era o paraíso um garoto da minha idade deparar-se com uma obra desse quilate.

Mas estava ainda com receio de saber como seria assistir a MORTAL KOMBAT hoje… Na época do lançamento, me lembro do filme ser recebido por muitos como a grande adaptação de videogame para o cinema. Tá certo que a concorrência não era das melhores… O que é aquele filme do Super Mario? E não vou nem falar nada do STREET FIGHTER, com JCVD (qualquer hora dessas vou arriscar uma revisão)… O fato é que Paul W. S. Anderson e sua turma conseguiram realmente captar a essência do jogo e combinar com certa perspicácia, dentro de uma linguagem de cinema, tudo aquilo que um fã de MORTAL KOMBAT poderia almejar.  Scorpion dizendo: “Get over here!“, Sub Zero congelando pessoas, Shang Tsung dizendo “Flawless Victory!” e “Finish Him!“, Goro com seus quatro braços destroçando seus adversários, Johnny Cage deixando sua foto autografada após uma peleja, etc, etc, etc… Tá tudo aqui!

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Portanto, revê-lo agora depois de tantos anos apenas confirmou a grande adaptação que é. Não que o resultado seja a oitava maravilha do universo do cinema… Longe disso, continua sendo uma tralha. Mas em termos de adaptação o filme merece seus elogios por conseguir manter os traços característicos do jogo à narrativa.

Além disso, é bem divertido como filme de fantasia e artes marciais. Algumas lutas são realmente bacanas, bem coreografadas, e Anderson tem excelente noção de como utilizar os cenários, os espaços, na interação com os combates e os poderes dos personagens. Toda a sequência do confronto entre Cage e Scorpion, por exemplo, é de um cuidado que impressiona, tanto na manipulação dos ambientes quanto na encenação física, na trocação de socos e pontapés entre os personagens. De uma riqueza visual notável! A coisa começa em uma floresta conspícua e totalmente simétrica, com Scorpion lançando sua famosa “corrente” sobre o pobre Johnny, que não tem defesa, exceto fugir e arranjar uma solução para contra-atacar. Depois os dois são transportados a uma espécie de porão infernal onde o pau come de verdade… É disparado a melhor sequência de MORTAL KOMBAT. É legal que em alguns momentos Anderson tenta realmente recriar os enquadramentos do jogo, o que torna tudo tão familiar e fascinante, como no confronto entre Liu Kang e Sub-Zero.

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Algumas informações e curiosidades sobre a produção. MORTAL KOMBAT, originalmente foi baseado no primeiro jogo da série, mas existem vários elementos ​​que foram incorporados do segundo, Mortal Kombat II, como a aparição de Shao Kahn no desfecho do filme, que nem sequer é mencionado no game original. Os personagens Jax e Kitana também só foram aparecer em MKII, assim como a habilidade de Shang Tsung em roubar as almas de suas vítimas derrotadas. Sua aparência mais jovem vista aqui também só foi usada na continuação do game, mas é como o sujeito é visto durante todo o filme; de acordo com Cary-Hiroyuki Tagawa, que interpreta o personagem, era para evitar a maquiagem excessiva que teria sido necessária para fazer a aparência envelhecida de Shang Tsung do primeiro jogo. No confronto com Reptile, Liu Kang usa seu movimento especial Bicycle Kick, que só foi introduzido pela primeira vez também no game posterior, assim como a habilidade de Reptile em se tornar invisível.

O elenco é muito bom, a maioria dos atores não são apenas competentes, como Robin Shou (Liu Kang) e Linden Ashby (Johnny Cage), mas também representações físicas bastante precisas de seus personagens no jogo. Destaque para Christopher Lambert como Raiden, cheio de gracinhas constrangedoras, mas que me racham de rir. E o expressivo Cary-Hiroyuki Tagawa fazendo o feiticeiro Shang Tsung, sempre um deleite vê-lo como vilão. O elenco ainda tem Trevor Godard, como Kano, Bridgette Wilson fazendo Sonya Blade e Talisa Soto encarnando a Kitana. Curiosa algumas possíveis opções originais do filme: Cameron Diaz foi escolhida para interpretar Sonya Blade, mas ela quebrou o pulso antes de começarem as filmagens. Brandon Lee foi a primeira escolha para viver Johnny Cage, mas sua trágica morte no set de O CORVO obrigou os realizadores a buscarem outro ator. Jean-Claude Van Damme foi oferecido no papel, mas o descartou para fazer STREET FIGHTER.

MORTAL KOMBAT possui boa produção, com efeitos especiais decentes para o período (a concepção do Goro é simplesmente incrível), exceto algumas cenas de CGI que já na época eram ridículas e acabaram ficando muito datadas. Um exemplo é Reptile na sua forma de “criatura”. A cena em que interage com Liu Kang foi extremamente difícil de fazer, pois nem mesmo o diretor sabia como seria o aspecto visual que a equipe de efeitos especiais colocaria em CGI posteriormente. O resultado é aquilo… Uma merda.

Acho uma pena, também, a classificação PG-13 para a adaptação de um jogo que abusava da violência gráfica, dos famigerados “Fatality” sangrentos. MORTAL KOMBAT é bem limpinho e a violência é praticamente zero. Não estraga a diversão, mas para os fãs mais xiitas e admiradores de um gore, a coisa fica a desejar. O filme possui alguns outros problemas mais estruturais, o próprio fio condutor do entrecho, o torneio de lutas, é mal explicado, nunca sabemos quem luta com quem, onde e quando; há momentos que é numa arena com público, em outros parece que os lutadores estão num universo paralelo completamente sozinhos. Pode ser relevado, mas são coisas que poderiam ser melhor exploradas. E não vou entrar em muitos detalhes sobre a trilha sonora… Uma insuportável batida eletrônica que é simplesmente um horror…

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Torto e falho em alguns pontos sim, mas MORTAL KOMBAT continua, sem dúvida alguma, uma das mais admiráveis adaptações de videogame para as telas de cinema e um competente exemplar de artes marciais dos anos 90, que envelheceu muito bem, dependendo do seu gosto pra esse tipo de filme… MK ainda teve mais duas continuações, mas esses eu não tenho coragem ainda de me aventurar tão cedo. Já tinha achado ruin na época e acho que não vai ser agora que vou mudar de opinião.

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3 Comentários

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  • Mortal Kombat só teve uma continuação, o péssimo Mortal Kombat Aniquilação. Uma série de tv, Mortal Kombat A Conquista e duas temporadas de Mortal Kombat Legacy parava internet. Fora a série animada Mortal Kombat Os Defensores da Terra.

  • Adoro esse filme. O Aniquilação deveria ser expurgado da história do cinema, mas o primeiro é umas das melhores adaptações de jogos já feitos.

    Claro que tem uns efeitos meio capengas ali, mas eu gosto justamente da aura de fantasia dele, sendo “fiel” ao material base. Podia ter mais sangue, mas a caracterização, os ambientes e as lutas (que são o principal, a meu ver) são muito boas.

    E gosto também que não tentaram reinventar nada, pois tem toda a história pronta nos jogos, só adaptar pro meio cinematográfico com uns ajustes aqui e ali. Não é que nem o citado Street Fighter do Van Damme, que tem tudo menos Street Fights hahahaha

  • Gosto desse filme. Pra mim , junto com Silent Hill, são as únicas 2 adaptações de games pro cinema q prestam.