Dissecando FLORENTINE – Parte 10: NINJA (2009)

NINJA foi mais uma bem-vinda contribuição do diretor Isaac Florentine em trazer de volta um cinema de ação old school e um belo revival dos clássicos filmes oitentistas ao estilo ENTER THE NINJA, AMERICAN NINJA, AMERICAN SAMURAI, onde temos um protagonista ocidental que, por um acaso, adquiriu talento em artes marciais orientais, usando pijamas pretos com a cara coberta, ou não, tendo que demonstrar suas habilidades por algum motivo que não tem tanta importância… O que vale mesmo é a quantidade de confrontos que o sujeito trava numa narrativa e o número alto de meliantes levando chutes na cara.

No caso de NINJA, o único elemento que contextualiza a produção, tecnicamente, na época atual, são os efeitos especiais em CGI. Embora sejam discretos, são utilizados mais especificamente para recriar sangue artificial. No restante, o filme de Florentine funciona muito bem como um divertido exemplar do gênero, com pancadarias a cada cinco minutos nos mais variados tipos de ambientes, desde bares, becos escuros, terraço de um edifício ou o interior de um vagão de metrô em movimento.

As atuações não são lá grandes coisas, exceto o grande Scott Adkins, que ainda vivia um período promissor por aqui, seguindo a mesma linha de um Michael Dudikoff, Gary Daniels e David Bradley: melhor na ação que na dramaturgia. Hoje já considero Adkins um ator mais completo, evoluindo sempre como herói de ação, na encenação e utilização do corpo em cenas de luta (BOYKA: UNDISPUTED IV tá entre algumas das melhores sequências de pancadaria que já vi neste século) e também na construção de personagens mais complexos (SOLDADO UNIVERSAL: JUÍZO FINAL, ELIMINATORS, UNDISPUTED III, etc…)

Mas talento dramático por aqui é o de menos. Adkins interpreta Casey, um sujeito que possui bastante semelhanças com Joe Armstrong do filme AMERICAN NINJA. Ambos são órfãos, recebem treinamento ninja e se apaixonam pela filha do mestre. Em NINJA, o protagonista ganha um desafeto com Masazuka, um oriental que tem inveja do americano por vários motivos e tenta matá-lo em um ataque de raiva. Acaba expulso da academia. A grande motivação que os roteiristas encontraram para dar um gás à trama é uma caixa guardada pelo sensei, interpretado por Togo Igawa, cujo interior mantém os artefatos ninjas de um lendário guerreiro de tempos antigos. Bem, a caixa precisa ser transportada de um lugar a outro, Casey é o escolhido para a tarefa (juntamente com outros estudantes, inclusive a filha do sensei). É aí que Masazuka volta em cena para sua vingança.

O filme ainda coloca uma seita religiosa que quer botar as mãos na caixa, da qual saem os vários capangas que Casey enfrenta no decorrer da sua missão. E toda vez que o protagonista precisa parar para encarar meliantes, o capricho de Florentine se sobressai. A pancadaria numa cafeteria serve pra mostrar a maestria das habilidades de Adkins em conjunto com a câmera do diretor, que filma esse tipo de cena como poucos. Mas a sequência no metrô, logo depois, é um primor! E a coisa só vai melhorando. Até porque ainda temos Masazuka, que é um vilão interessante, que consegue representar uma verdadeira ameaça para o herói e que rende ainda mais algumas excelentes sequências de lutas bem coreografadas.

NINJA é diversão sem compromissos, sem grandes pretensões, não quer inventar a roda. Mas possui ação de primeira linha! E como todo bom filme do gênero com espírito oitentista, é claro que NINJA acabou ganhando uma continuação. Em 2013 saiu NINJA – A VINGANÇA (até o nome é old school) e reúne mais uma vez Adkins e Florentine. Agora, para quem não curte os autênticos clássicos de ninja dos anos oitenta, não suporta ver Franco Nero de bigode encarnando um ninja branco, não sabe quem é Sho Kosugi, não sabe o que é uma katana shinobi, não entende como aquelas pequenas estrelinhas matam tão rapidamente, recomendo distância deste aqui. Caso contrário, sinta-se em casa.

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