Dissecando FLORENTINE – Parte 9: OPERAÇÃO FRONTEIRA (2008)

Os fãs de cinema de ação que acompanham a carreira de Jean-Claude Van Damme desde sempre vão se lembrar que o sujeito passou por uma fase negra lá no finalzinho dos anos 90 e início dos anos 2000, quando encarou vários projetos medíocres, afundado nas drogas e pagando mico no programa do Gugu. Sem contar a transição que o tipo de cinema que JCVD fazia migrou das telas grandes para o mercado de home video, um processo que o então ex-astro de Hollywood demorou a assimilar e aceitar. Aos poucos, durante a década passada, o belga foi dando a volta por cima e entendeu como funciona o cinema de ação direct to video, mesmo errando em alguns casos, mas rolou uma aceitação do ator em relação a sua figura como action hero nesse novo universo dos filmes de ação, o que culminou na expulsão dos seus demônios em JCVD (2008). Um dos principais acertos de Van Damme após esse período de descobertas, foi buscar trabalhar com diretores que demonstravam talento nesse nicho, como John Hyams e, obviamente, Isaac Florentine.

OPERAÇÃO FRONTEIRA é o filme que JCVD e Florentine fizeram juntos. E é um produto crucial dessa leva de filmes que trouxeram Van damme de volta, pelo menos para os apreciadores de sua obra, a um lugar de destaque nas produções de ação. É um de seus trabalhos que mais se aproxima ao que foi feito no gênero nos anos 80 e 90 em termos de estrutura narrativa. Temos uma trama muito simples sobre um policial (Van Damme) com um passado sombrio e motivações misteriosas, que é transferido para um novo local. No caso, a fronteira com o México, para enfrentar uma perigosa rede de trafico de drogas. O filme é cheio de ingredientes e detalhes que fazem a cabeça dos fãs e é constantemente pontuado com sequências de ação old school coordenadas por Florentine: Brigas em bar, uma luta numa prisão, porradaria no meio da rua; perseguições à pé ou em veículos, uma delas explosiva e recheada de muito tiro envolvendo um ônibus cheio de freiras! No final, um mano a mano brutal contra o vilão, vivido por ninguém menos que Scott Adkins, ao melhor estilo nostálgico oitentista.

Van Damme aproveita muito bem a idade e o olhar cansado para dar um sustento expressivo ao seu personagem e à complexidade do estado emocional que se encontra, com um passado traumático que vai aos poucos sendo revelado à medida em que a história avança. Para quem curte uma figura já calejada e badass nos filmes de ação, Van Damme atende a demanda com muita eficiência em OPERAÇÃO FRONTEIRA. A coisa fica ainda mais interessante quando esses personagens brucuturs, aparentemente sem emoções humanas, demonstram um lado sensível e ambíguo, nem que seja em simples alusões, imagens e situações. Van Damme tem muito desse espírito aqui na representação de um coelho, chamado Jack, que carrega para todo o lado e que tem forte apelo dramático à história.

Já Scott Adkins, trabalhando novamente com o diretor, apronta a sua roubada de cena habitual. Qualquer um percebia lá em 2008 que havia um talento promissor e não é a toa que hoje Adkins é o principal nome do cinema de ação ocidental, como também é um autêntico herdeiro de caras como Van Damme, Gary Daniels e Steven Seagal. O que não falta por aqui é o sujeito realizando alguns movimentos virtuosos de artes marciais; movimentos que são muito mais impressionantes até que os de Van Damme. Isso fica mais evidente no confronto final. Não estou dizendo que Van Damme esteja mal, pelo contrário, o que ele faz aqui em termos de encenação de lutas é bem melhor até do que alguns de seus melhores trabalhos nos anos 90 – graças ao diretor Isaac Florentine, que é um sujeito que tem a manha para esse tipo de cena. Mas fica claro que Adkins é o novo nome na parada. A única reclamação que faço quanto a luta final de Adkins vs Van Damme é o excesso de câmera lenta. Ainda assim é muito boa. Quero dizer, não é tão épica quanto a de Billy Blanks vs. Matthias Hues em GARRAS DE ÁGUIA, mas é divertida.

Van damme e Scott Adkins ainda fariam algumas parcerias, lutando lado a lado contra a bandidagem, como em ASSASSINATION GAMES, ou como vilões em OS MERCENÁRIOS 2. Depois voltariam a se enfrentar na obra-prima UNIVERSAL SOLDIER: JUÍZO FINAL. Já com o Florentine, OPERAÇÃO FRONTEIRA foi a única vez que JCVD trabalhou sob seu comando, o que é uma pena, pois a carreira do belga voltou novamente para o buraco. Seus últimos filmes são bem ruinzinhos…

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