RAJADA DE FOGO (Rapid Fire, 1992)

Apesar de O CORVO ser o filme mais lembrado de Brandon Lee, foi RAJADA DE FOGO, um pequeno veículo de ação, que ele teve a oportunidade mais decisiva no processo que o transformaria num ícone. Sim, posso estar delirando, mas eu acredito que se Lee não tivesse morrido acidentalmente em O CORVO, hoje ele teria sido um disputadíssimo astro de ação e roubaria facilmente vários papéis importantes nos filmes do gênero nos últimos 20 anos. Aposto que ia…

O filme é sobre Jake Lo, um estudante chinês que vive nos Estados Unidos à sombra de seu pai que todos admiram: um líder pró-democrata que morreu atropelado por um tanque de guerra em uma manifestação nas ruas de Pequim. Até certo ponto, é algo um tanto biográfico para Brandon Lee, vivendo sob a sombra de seu pai, um dos rostos mais famosos do cinema oriental e um dos maiores ícones da cultura pop. Não devia ser fácil entrar na carreira de ator de filmes de ação sendo filho de Bruce Lee. Em entrevistas, Brandon chegou a declarar que o papel de Jake Lo foi escrito especificamente para ele, o que não é nada surpreendente.

Embora possua uma veia política, tenha presenciado as manifestações e a morte de seu pai, Jake é um individualista que pouco se importa com essas questões. Inclusive quando alguns ativistas tentam usá-lo em suas causas, ele não se interessa nem um pouco. Na verdade, ele acha que nada disso vale a pena e que seu pai morreu em vão. É claro que tudo é descupinha do roteiro para a trama ficar mais interessante e ao final ele vai dar valor aos ideais do velho, mas sem perder o jeito badass de encarar as coisas.

Na trama, Jake testemunha um assassinato cometido por um dos mais perigosos chefões do crime organizado (Nick Mancuso), colocando sua vida em risco, tendo a máfia e policiais corruptos a todo instante em sua cola. Apenas Mace Ryan, um tira honesto, interpretado pelo grande Powers Boothe, pode ajudá-lo. No entanto, Jake demonstra que é um sujeito durão resolvendo os problemas à base da porrada. Em RAJADA DE FOGO Brandon Lee finalmente teve o seu momento como action hero, porque em MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS, embora roube a cena, ele sempre será o coadjuvante gay de Dolph Lundgren.

A direção é de Dwight H. Little, que havia dirigido Steven Seagal em MARCADO PARA MORTE, o terceiro filme do astro de rabinho de cavalo. Deslumbrado com cinema de John Woo como quase todos os diretores de filmes de ação do início dos anos 1990, Little toma como base sequências bem elaboradas de filmes como THE KILLER (89) para criar as suas. Não vou dizer que o diretor teve sucesso, mas não deixa de ter ótimas cenas por aqui, especialmente porque Lee demonstra ser perfeito como herói de ação, movimentando-se com agilidade, fazendo acrobacias para fugir de balas, deferindo golpes e utilizando de vários objetos em cena para atrapalhar a vida de seus oponentes. E quando seguram seu pé, ele dá aquele chute rodado que virou sua marca registrada.

No elenco ainda temos Raymond J. Barry como um agente corrupto e Al Leong, com seu inconfundível bigode, dando trabalho ao protagonista numa das melhores cenas de luta do filme.

Brandon Lee acabou sua precoce carreira com uma curta filmografia, tendo participado apenas de seis filmes para cinema, sendo que um deles nem chegou a ser creditado. Meu preferido continua sendo MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS, mas RAJADA DE FOGO tem uma certa importância que não pode ser ignorada.

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