REVIEW: BOYKA: UNDISPUTED (2016)

A série de filmes UNDISPUTED funcionava da seguinte maneira: Num cenário de prisão, o vilão e derrotado de um filme acabava se tornando o herói redimido na produção seguinte. Certo? Foi assim com George Chambers, vivido por Ving Rhames em UNDISPUTED (02), de Walter Hill, que acabou virando protagonista de UNDISPUTED 2 (06), já na pele de Michael J. White e sob a direção de Isaac Florentine. Este segundo exemplar marca também a entrada de um tal Yuri Boyka, interpretado por Scott Adkins, o grande oponente de Chambers. Mas, com a sua derrota e seguindo a lógica da série, tivemos em UNDISPUTED III (10) Adkins reprisando seu papel de Boyka. Na trama, ele se redime e derrota um grande oponente, Raul Quinones (Marko Zaror). Mais uma vez, seguindo a coerência da série, agora teremos Raul Quinones retornando como protagonista buscando redenção. Certo?

Na verdade, não.

Desde que apareceu pela primeira vez, Yuri Boyka se tornou um ícone do atual cinema de artes marciais de baixo orçamento e os produtores da Nu Image resolveram não arriscar. Trouxeram o personagem para este novo filme da série e as últimas peripécias do “lutador mais completo do mundo”, como ele mesmo se auto-intitula, já pode ser conferida em BOYKA: UNDISPUTED.

Boyka, agora livre da prisão, está cada vez mais próximo de participar das grandes ligas de artes marciais pelo mundo afora. No entanto, depois de matar acidentalmente um oponente, Viktor Gregov, no ringue, o protagonista entra numa crise existencial e filosófica, questionando o sentido da vida, da morte e das porradas. Acaba tomando a decisão de retornar à Rússia, correndo o risco de ser reconhecido pelos seus desafetos, para obter perdão da esposa de Viktor, Alma, que está sob o controle de um gangster, Zourab, de quem pegou dinheiro emprestado para estabelecer um centro comunitário. Agora, Boyka deve encarar uma série barra-pesada de lutas excêntricas organizadas por Zourab em seu clube para libertar Alma de uma vida de servidão, além de tentar o seu perdão.

Um dos grandes destaques de BOYKA: UNDISPUTED é o desempenho de Scott Adkins. Não apenas como o baita lutador que é, mas por nos deixar perceber a sua evolução como ator dramático mesmo. Seus dilemas filosóficos e busca por redenção são realmente genuínos, especialmente quando mostra sinais de humildade e gradualmente começa a ver seus oponentes como seres humanos e não apenas meros obstáculos. Uma pena, portanto, que o diretor Isaac Florentine tenha ficado apenas no trabalho de produção após realizar os dois últimos filmes da série, deixando a direção deste aqui nas mãos de Todor Chapkanov. Acho que Florentine sabe trabalhar melhor a carga dramática desse tipo de filme.

Já em termos de pancadaria, não temos do que reclamar. BOYKA: UNDISPUTED continua a fazer o que a série UNDISPUTED sempre fez da forma mais espetacular possível. Preciso confessar que não me lembro de ter assistido, no cinema recente, a cenas de luta tão brutais, viscerais, realistas, dinâmicas e belissimamente coreografadas como aqui. Talvez em UNIVERSAL SOLDIER: DAY OF RECKONING, de John Hyams, tenhamos a mesma energia. Mas os realizadores realmente chegaram no ápice aqui. Por mais que eu já tenha me vislumbrado diversas vezes com a pancadaria de UNDISPUTED 2 e 3, a ação de BOYKA: UNDISPUTED consegue superar todos os seus antecessores com sequências físicas de cair o queixo, com longas tomadas e uma câmera nervosa seguindo os lutadores de muito perto, enquanto os atores encenam golpes ultra rápidos e agressivos numa coreografia de encher os olhos.

BOYKA: UNDISPUTED teve lançamento mundial direto em DVD no mês de maio deste ano, mas ainda não chegou ao mercado home video brasileiro. Vamos apurar para saber quem vai lançar essa pérola do cinema de artes marciais por aqui. Um filme obrigatório que com certeza vai estar na minha lista de melhores filmes de ação do ano.

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1 Comentário

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  • “…depois de matar acidentalmente um oponente, Viktor Gregov, no ringue, o protagonista entra numa crise existencial e filosófica, questionando o sentido da vida, da morte e das porradas.”

    HAHAHAHAHAHA.

    Fausto Fanti sorri!!