REVIEW: FUGINDO DO INFERNO (The Great Escape, 1963)

A grande maioria dos filmes de guerra costumam concentrar suas atenções nas cenas de combate, sempre com muita ação, explosões, tiros, baixas emocionantes e surpreendentes estratégias de ataque aos inimigos. O diretor americano John Sturges conhece bem essa jornada. Mesmo expert em mostrar soldados que não temem arriscar a vida em nome do seu país, Sturges foi responsável por um dos filmes de guerra mais interessantes da década de 60 que tem como pano de fundo não as armas em punho, mas as pás e os cérebros engenhosos.

FUGINDO DO INFERNO é um filme sobre fuga. Mais ainda, sobre o que o homem é capaz de fazer para alcançar a liberdade. Não estamos falando da redenção, da liberdade do espírito, mas a do corpo. Aquela sensação de poder ir e vir sem precisar prestar contas ao general. Ambientado num campo de prisioneiros de segurança máxima, a produção de Sturges tira o fôlego do espectador ao mostrar a força que a união de homens ambiciosos pode ter mesmo em um local tido como impossível de ser superado. Mesmo com um roteiro inteligente, assinado por James Clavell, grande parte da simpatia do filme está no seu elenco, encabeçado pelo astro Steve McQueen, na pele de Hilts, o criador do plano de fuga que vai envolver seus colegas de reclusão interpretados por James Coburn e Charles Bronson, repetindo a bem sucedida parceria de Sete Homens e um destino, filme anterior de Sturges.

FUGINDO DO INFERNO, apesar de parecer um fantasia bem elaborada, é baseado em uma história real, que envolveu prisioneiros de guerra em 1943 no famoso Stalag Luft Nord, considerado um dos mais seguros locais de reclusão criado pelos exército alemão. As cenas que envolvem o trabalho pesado do grupo para construir a passagem que vai leva-los de volta para a vida livre garante alguns dos melhores momentos da trama, além da eletrizante perseguição de motocicleta que McQueen executa com perfeição. Uma dose de rebeldia que só um ator como ele conseguiria transpor sem parecer caricato.

FUGINDO DO INFERNO é um filme de grupo, no caso, grupo de homens arquitetando um plano. A testosterona é o hormônio que impera na maioria das cenas, mas há espaço para um pouco de humor leve, quase uma piada entre amigos, e até uma dose de romance nas lembranças dos soldados das mulheres que os esperam do lado de fora das cercas intransponíveis. Sturges consegue uma unidade entre os atores que faz triplicar a magia do filme e garantir algumas sequências hilárias, como os diálogos em pé de guerra entre Coburn e Bronson.

A trilha sonora, assinada pelo grande compositor Elmer Bernstein, segue a linha de melodias assobiáveis à lá A ponte do rio Kwai e contribuiu muito para o sucesso do filme. Mesmo ambientado em um momento difícil de esquecer, Fugindo do inferno é leve e garante diversão das boas mesmo para quem não é muito chegado em produções de guerra. E é a prova de que a união faz a força, seja para abrir uma porta ou derrubar os muros da prisão.

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