REVIEW: SAVAGE DOG (2017)

Jesse V. Johnson tem uma carreira sólida como dublê em Hollywood. Segundo o IMDB, seu primeiro trabalho foi em O VINGADOR DO FUTURO (1990), mas já passou por muitos outros blockbusters como THOR e O ESPETACULAR HOMEM ARANHA 1(2012) e 2(2014). Como muitos outros de sua área, resolveu investir na direção e SAVAGE DOG (2017) é o seu décimo filme, como os interessantes (embora um tanto canhestros) THE BUTCHER (2009) e CHARLIE VALENTINE (2009). É também sua primeira parceria com o astro dos filmes direct to vídeo Scott Adkins.

A trama se passa na Indochina em 1959, após a guerra que assolou a região e transformou o lugar numa terra de ninguém, num “caldeirão de vilania”, como diz a abertura do filme. Martin Tillman (Adkins) é um irlandês que se encontra preso num campo de concentração controlado pelo alemão Steiner (Vladimir Kulich), que tem como seus braços esquerdo e direito o militar vietnamita Boon (o ator/lutador Cung Le) e o francês Rastignac (o chileno Marko Zaror, vilão de O IMBATÍVEL 3). Tillman participa das lutas clandestina que Steiner organiza para conseguir sua liberdade e a única pessoa que tem como amiga é a filha “bastarda” de Steiner, Isabelle (Juju Chan), que mora em um bar próximo dali junto a Valentine (Keith David, ator presente também em outros filmes de Johnson), que narra a trama. Tillman eventualmente consegue sua liberdade, mas obviamente que o seu destino irá cruzar novamente com os calhordas das linhas acima.

Se o que você quer ver é porrada, pode ficar tranquilo: não devem passar cinco minutos sem que Adkins esteja envolvido em alguma peleja. Embora ele seja um irlandês no fim dos anos 50, o que temos aqui é o bom e velho kickboxe filmado e coreografado no estilo dos filmes de Hong Kong. Só falta a Johnson aprender a filmar um pouco melhor. Sua falta de manejo com o scope o faz, por vezes, deixar golpes baixos fora da visão da câmera e em outros momentos também, como numa cena em que Cung Le vai dar o pagamento a Scott Adkins por ter ganho uma briga e o envelope com o dinheiro não está no quadro. Os tiroteios também são bem executados, mas acho que um pouco mais de planejamento e cuidado na hora de filmar e editar, em especial o tiroteio ao final, beneficiariam a filmagem. A geografia também fica confusa, não sabemos em alguns momentos em que posição estão os personagens. Johnson ainda é meio pedreiro na hora do acabamento, falta aos seus filmes o polimento que figuras do cinema de baixo orçamento como Isaac Florentine ou Steve Wang possuem.

Nas cenas de exposição, aí que a mão de Johnson pesa mesmo: nota-se uma tentativa dele em todos os seus filmes de ser mais que um mero diretor de ação descerebrada. Ao fazer, como diz o crítico Filipe Furtado, um melodrama para homens, ele parece não entender muito bem o que faz o gênero funcionar. Falta estofo ao roteiro de SAVAGE DOG. Adkins é um ator sólido  dentro do cenário e tem carisma, todavia seu personagem é raso. Há uma subtrama (muito mal explorada) sobre seu passado, mas é tudo muito jogado. Keith David é um ótimo ator, é sempre divertido vê-lo em cena, entretanto seu personagem não passa de um estereótipo. Aliás, todos os personagens são só isso. Mesmo o vilão Steiner, que ganha algumas tintas cinzas aqui e acolá, acaba ficando refém dessa falta de manejo.

Mas, Luiz, o filme tem Adkins, Cung Le E Marko Zaror! E aí? Pois é. As duas lutas são boas. A luta contra Cung Le é um pouco mais curta. Termina num anticlímax, o que achei corajoso. Já a luta contra Zaror é correta apenas e termina de forma curiosa. Mas, como disse, falta a Johnson melhor manejo da arte de filmar. O que nas mãos de um diretor mais habilidoso seria extremo, brutal, aqui ficou raquítico, gratuito até.

No fim das contas, vale a pena. Johnson mostra evolução, mas ainda não chegou lá. Porém, se o que quer ver é pancadaria e esquecer da vida, SAVAGE DOG pode ser uma boa pedida. Os fãs de Scott Adkins provavelmente vão gostar.

 

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1 Comentário

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  • Vi o filme pela indicação nessa resenha. É o típico caso de “ignore a história, veja as porradas”, e não me decepcionei nesse aspecto.
    De fato, um pouco mais de experiência nas cenas de ação deixaria mais “grandioso”, pois as coreografias de luta e as movimentações são muito boas, mas as vezes o ângulo é mal explorado.
    Um ótimo entretenimento para fãs de ação. As pessoas que falam que o cinema de ação está morto estão muito enganadas, tenho visto muitos filmes novos (como este) que não deixam nada a dever aos clássicos dos anos 80 e 90.