SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO (2009) | REVIEW

Em relação aos companheiros Steven Seagal, Wesley Snipes, Cuba Gooding Jr., Nicolas Cage, John Cusack e Bruce Willis nos filmes que vão direto pro DVD, Jean-Claude Van Damme continua numa boa, mas os seus trabalhos atuais nem se comparam com o que ele fez para o mercado nos últimos 10 anos. O fraco OSSO DURO e o lastimável O VINGADOR DA IUGUSLÁVIA não lhe fizeram nenhum favor a não ser engordar a sua conta corrente.

OPERAÇÃO FRONTEIRA fez com que ele trabalhasse em um bom filme de ação para ninguém menos que Issac Florentine e ATÉ A MORTE provou que o baixinho do calombo na testa é mais ator do que muita gente pensava. 2009 foi a vez do surpreendente JCVD, onde ele interpreta um ator chamado Jean-Claude Van Damme que está pendurado em dívidas, perde a custódia dos filhos para a ex-mulher e seus filmes vão direto pro DVD ao invés dos cinemas. Familiar? Não se sabe quanto do Van Damme da ficção e do Van Damme da vida real estão no roteiro. JCVD é para Van Damme o que O LUTADOR foi para Mickey Rourke. Um filme que poderia até ter tido uma oportunidade no circuito alternativo ao invés de sair direto para vídeo por aqui.

O mesmo não pode ser dito de SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO, que é um espetáculo de truculência. A direção ficou a cargo de John Hyams, filho de Peter Hyams (que dirigiu Van Damme em TIMECOP, MORTE SÚBITA e ALIANÇA MORTAL), que trabalha como diretor de fotografia neste filme. SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO parte direto do original, desconsiderando as duas continuações baratas feitas para a TV e SOLDADO UNIVERSAL: O RETORNO, onde Luc Deveraux (Van Damme) vive como um humano e tinha até uma filha! Ainda bem.

Nos primeiros minutos do filme ambientado na Rússia e filmado na Bulgária, uma moça e um rapaz são sequestrados de um museu de arte por um grupo mascarado. Os bandidos começam a massacrar os seguranças particulares, a polícia e um deles leva vários tiros, mas não morre. Essa introdução ao filme nos leva a algo cada vez mais raro e ausente do cinema de ação atual: uma cena de perseguição tão bem planejada, filmada e editada que joga o espectador no meio da ação e ainda assim, ele entende o que está acontecendo. Isso tudo antes do final dos créditos de abertura. Yeah!

Os dois jovens sequestrados são filhos do primeiro ministro, usados pelo general Boris e seus soldados saídos de um filme do Chuck Norris para negociar a liberdade de companheiros presos. Eles tomaram a usina de Chernobyl e ameaçam explodir o lugar se o governo russo não cumprir as exigências em até 72 horas. Aquele sequestrador que teimava em não morrer na perseguição do início é, na verdade, o NGU (interpretado pelo lutador Andrei “The Pit Bull” Arlovski), uma nova geração de Soldados Universais. Ela foi criada pelo Dr. Colin (Kerry Shayle), o típico cientista louco, e seu assistente (Garry Cooper). O governo americano envia 4 dos 5 soldados restantes da antiga geração para Chernobyl resgatar os jovens, num esforço lamentável, os guerrilheiros sofrem baixas, mas o novo soldado universal acaba com os 4. A solução é reativar Luc Deveraux (Van Damme), que estava sob tratamento psicológico (???) para a missão, voltando a ser a máquina de matar que sempre foi. Deveraux apenas não contava com o encontro surpresa no lugar: seu antigo inimigo, o psicótico Andrew Scott (Dolph Lundgren).

Essa volta de Deveraux não faz mesmo muito sentido. Se os outros quatro soldados não resistiram à nova geração, por que raios enviaram o Deveraux? Mas antes de qualquer coisa, é necessário lembrar que ao assistir esses filmes, qualquer falta de noção e lógica deve ser posta de lado. Não se assiste a um filme de ação por roteiro, atuações e construção de personagens. O que mais importa é ver o Deveraux quebrando o pau assim que bota os pés na usina e, nesse sentido, o filme não desaponta. Coloque no meio de tudo o aguardado confronto de Scott e Deveraux – com direito a final estilo BLADE RUNNER – e temos quase 30 minutos ininterruptos de pura ação, com violência a granel e lutas bem coreografadas, influenciadas por MMA (Mixed Martial Arts). John Hyams também dirigiu THE SMASHING MACHINE, documentário sobre o lutador Mark Kerr.

A atmosfera de SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO difere do esperado, com uma fotografia de cores frias que chama a atenção e remete ao cinema de ficção científica feito hoje. Se há algo que seja considerado negativo, é o limitado tempo em cena do trio principal de atores. Contam-se nos dedos os seus diálogos no roteiro de Victor Ostrovsky, embora seja essa ausência de humanidade e emoção que faz os personagens terem tamanha presença no filme.

Van Damme e Arlovski beiram a perfeição como duas máquinas de matar: o som que mais se ouve quando eles estão em cena são os de suas vítimas. Lundgren é o que menos aparece dos três, mas o retorno de Andrew Scott vem sendo comparado com a descontrolada fuga do monstro de Frankenstein. Não é para menos, Scott termina sendo o personagem mais interessante do filme e permite a Lundgren alguns de seus melhores momentos em anos.

Uma excelente colaboração entre pai e filho cineastas faz com que SOLDADO UNIVERSAL 3: REGENERAÇÃO seja acima da média e tão bem acabado para uma produção destinada ao DVD. O filme merece ser visto, nem que seja pela brutal cena de luta entre Van Damme e Lundgren, que podem sim estar mais velhos, mas acabam com qualquer “astro” atual do gênero num estalar de dedos. Tivemos uma continuação extraordinária realizada em 2012 pelo mesmo diretor e também co-estrelada por Van Damme e Lundgren: SOLDADO UNIVERSAL 4: JUÍZO FINAL. Essa obra-prima consegue ser uma experiência ainda mais extrema em matéria de cinema físico, figurando merecidamente em nosso TOP 10 dos melhores filmes de ação do século XXI.

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