TAVERNA DO TIGRE #6: O que também foi bom em 2017

O ano de 2017 foi uma grande zica sob uma série de aspectos. Mas se nos focarmos no mundo detonador e catártico do cinema de ação, até que as coisas não foram nada mal. Como nos mostrou Ronald Perrone em sua bela lista de melhores filmes do ano passado, o gênero parece passar por um período de reinvenção deveras bem vindo. Para corroborar com essa tese, gostaria de complementar a lista e dar alguns pitacos sobre alguns dos melhores filmes que assisti que saídos no ano passado. Essa lista, claro, corresponde apenas a minha opinião e muitos desses filmes não foram lançados, infelizmente, no Brasil. Mas fica a dica para quem quiser correr atrás de mais coisas bacanas que 2017 nos proporcionou nesse sentido. Sem ordem de preferência, segue abaixo os que mais me chamaram a atenção:

A VILÃ (The Villainess), de Jung Byung-gil

Uma assassina (Ok-bin Kim) extremamente perigosa é presa após matar toda uma gangue. Ela é enviada para um programa de uma Agência misteriosa que treina mulheres que, assim como ela, tenham talentos que possam ser utilizados para missões especiais. Após finalizado, ela entra em atividade, mas seu passado não será facilmente esquecido. Esta produção sul-coreana tem uma trama que é um misto de NIKITA com KILL BILL e algumas da melhores cenas de ação que o cinema asiático (e certamente o cinema do país) já produziu. Cenas em primeira pessoa, planos sequencia, tudo o que está em voga nos melhores filmes de ação de alto orçamento é utilizado aqui. Além disso, ainda conta com uma poderosa carga dramática, com uma conclusão que levou o público de Cannes a aplaudir de pé por quatro minutos. Se aquela galera curtiu, acho que você também vai. Confira a resenha completa aqui.

 

BUSHWICK, de Cary Murnio e Johnathan Millot

Lucy (Brittany Snow) acaba de voltar para Nova York com o namorado, que irá apresentar a família. Pouco tempo depois, sua vida já estará completamente mudada… A cidade foi invadida por uma milícia militar, os cidadãos estão sendo caçados, o caos impera. Ela é salva por Stupe (Dave Bautista) um ex-fuzileiro atormentado que, a contragosto, irá ajudá-la a encontrar sua família. O filme é uma alegoria para o atual momento político que os Estados Unidos se encontram, com ecos de AMANHECER VIOLENTO (Red Dawn) de John Milius. Rodado quase todo em um extenso plano sequencia, com pouquíssimos cortes, o filme tem a melhor atuação de Bautista, surpreendendo a cada novo trabalho.

 

ACTS OF VENGEANCE Aka STOIC, de Isaac Florentine

Antonio Banderas é Frank Valera, um advogado que tem a mulher e filha mortas. Traumatizado, ele entra em um espiral de auto-destruição, até que, numa noite, após ser arremessado por uma gangue em uma livraria (sim), ele descobre o livro “Meditações” do imperador romano Marco Aurélio. Motivado pela filosofia estóica presente nos escritos, Valera irá passar por todos os estados do luto, buscará treinamento em artes marciais, e faz um voto de silêncio até descobrir quem é o responsável pela morte de sua família. Dirigido pelo sempre sólido Isaac Florentine (cuja filmografia está sendo dissecada aqui), o filme é uma trama de superação disfarçada de filme de vingança. Mas Florentine não é o Alexander Payne: aqui temos o Banderas distribuindo sopapos e torções como nunca antes em sua filmografia, em coreografias intrincadas e filmadas com graça e brutalidade, como se podia esperar de um filme do israelense. Não é um filme perfeito, o uso de trilha e efeitos sonoros característicos do cinema do diretor podem causar estranhamento, sofre, sim, de certa pieguice e acho eu que seria um filme mais forte se a narração fosse abandonada em certo momento. Mas, caramba, o estoicismo nunca soou tão badass!

 

A QUALQUER CUSTO (Hell or High Water), de David MacKenzie

Ok, esse filme na verdade é de 2016, mas ele só saiu nos cinemas daqui no começo do ano passado. Dois irmãos (Chris Pine e Ben Foster) cometem uma série de assaltos e serão perseguidos por um obstinado Ranger (Jeff Bridges). Quem não assistiu, fazer o favor. Minha resenha completa se encontra aqui.

 

BLADE OF THE IMMORTAL, de Takashi Miike

Dirigido pelo workaholic Takashi Miike, que completou com este seu centésimo filme. Um ronin (Takuya Kimura) amaldiçoado com a imortalidade pode ter seu desejo de morrer garantido se ajudar uma menina (Hana Sugisaki) em sua vingança contra os espadachins que mataram sua família. O filme é a adaptação do mangá BLADE – A LÂMINA DO IMORTAL, de Hiroaki Samura, que foi lançado no Brasil pela Conrad. Como algumas outra adaptações de mangá, sofre por ter um roteiro que vai por vários caminhos. Parece sim, em alguns momentos, que estamos vendo uma série de TV transformada em um filme. A jornada dos dois protagonistas, somado ao belo trabalho dos atores e as magníficas cenas de ação, entretanto, fazem as mais de duas horas valerem a pena. É uma bela e épica jornada. Confira uma resenha de opinião contrária a minha aqui.

 

WOLF WARRIOR 2, de Wu Jing

Após os acontecimentos do primeiro filme, Leng Feng (Wu Jing) agora está em um país africano. Após um massacre promovido por uma milícia rebelde, que está atuando ao lado de mercenários ocidentais, liderados por Frank Grillo, Feng irá adentrar o país em busca de trabalhadores chineses que trabalham numa fábrica e de uma equipe médica que está pesquisando a cura para uma doença mortal, que os mercenários planejam roubar.

Tiroteios, explosões, lutas, tanques contra tanques, Propaganda… O orçamento para a continuação do inesperado hit de Wu Jing foi maior, e o ator/diretor soube como usar. Um sensacional espetáculo, que nos remete ao cinema ocidental de ação dos anos 80. Troque apenas Chuck Norris por Wu Jing e Ronald Reagan pelo nacionalismo chinês. Obrigatório. É sério!

 

MAYHEM, de Joe Lynch

Um advogado (Steve Yeun) é demitido de sua empresa por um erro que não cometeu. Quando está sendo levado embora do prédio pelos seguranças, o lugar é posto em quarentena graças a um vírus, que faz as pessoas perderem suas reservas morais e éticas. Infectado, assim como todas as outras pessoas do ambiente, e determinado a fazer o desprezível presidente da empresa a ouvir sua versão dos fatos, ele fará absolutamente de tudo para chegar até o restrito andar da chefia. O filme é um misto de comédia de humor negro, horror e ação, e conta com excelentes sequências de ultraviolência. Como provavelmente diriam os caras do Choque de Cultura, as coisas que o protagonista e sua parceira (interpretada pela carismática Samara Weaving, do ótimo A BABÁ) fazem ao longo do filme são o sonho de qualquer trabalhador honesto de carteira assinada.

 

VINGANÇA (The Assignment), de Walter Hill

Frank Kitchen (Michele Rodriguez) é um assassino professional que é transformado cirurgicamente em uma mulher por uma vingativa médica (Sigourney Weaver). Confuso(a) com sua nova identidade, ele parte em busca de vingança e respostas, muitas respostas. Se você assistiu A PELE QUE HABITO, mas achou que faltou gangsters e tiroteios, esse filme pode te agradar em cheio. Um animal diferente na filmografia de Hill, com reflexões curiosas sobre gênero e masculinidade, especialmente se pensarmos que vem de um diretor famoso por alguns dos maiores clássicos do “cinema macho” dos últimos 40 anos. Vale a pena uma conferida de cabeça aberta. A melhor atuação da carreira de Rodriguez.

 

THE BATTLESHIP ISLAND, de Ryoo Seung-wan

Na verdade não se trata de um filme de ação, mas um drama passado durante a Segunda Guerra, quando coreanos foram mantidos prisioneiros em um campo de concentração na Ilha de Hashima, trabalhando em minas de carvão em condições periclitantes, servindo como prostitutas, entre outras atividades nada dignas. O filme termina com uma das melhores cenas de batalha que vi nos últimos anos, e o elenco é formidável. Recomendo.

 

THE BRINK, de Johnathan Li

Esta produção de Hong Kong, produzida pelo fera Soi Cheang (SPL 2) é o primeiro filme estrelada por Max Zhang, o rival de Donnie Yen em IP MAN 3. Na trama ele é Sai Gau, um policial super linha dura que vai com tudo contra um cruel líder tríade (Shawn Yue, perfeito), que está atrás de ouro contrabandeado. Cenas de luta espetaculares, tensão e drama na medida. O elenco ainda conta com Tai Bo, figura tarimbada de vários clássicos de Jackie Chan.

 

TERRA SELVAGEM (Wind River), de Taylor Sheridan

Quando uma garota nativo-americana é encontrada morta, uma jovem agente do FBI (Elizabeth Olsen) e um amargurado caçador (Jeremy Renner) se unem para investigar o caso. Sheridan foi também o roteirista de A QUALQUER CUSTO, outro filme presente nesta lista. Um drama com elementos de western contemporâneo. Seguramente um dos melhores filmes americanos do ano passado, de qualquer gênero.

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1 Comentário

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  • Graças ao artigo, assisti hoje em sequência um do outro: Mayhem e Bushwick.

    -Mayhem para mim pareceu bastante com o filme de 2016 The Belko Experiment, embora Mayhem seja um pouco mais descompromissado. Me chamou atenção por ter uma estrutura quase videogame: para subir o cara tem que pegar um item, que está na posse de um “chefão”, para ir para o próximo “chefão” e continuar subindo até o andar final e enfrentar o “Final Boss”. Divertido.

    -Bushwick me agradou muito, principalmente pelo fato de você não saber o que está acontecendo até um bom tanto do filme, acho que passou bem a sensação de correria e confusão que aconteceria em situação assim no mundo real. Bautista está excelente no filme e a dinâmica com a menina se mostrou muito boa. Algo que me incomodou um pouco foi o ato final, que destoa um pouco do ar realista do restante do filme, com a menina acertando e derrubando vários soldados, sendo que poucas horas antes nunca havia manuseado uma arma. Mas enfim nada que desmereça o produto final que foi muito bom.