TERRAFORMARS – MISSÃO EM MARTE (Terra Formars, 2016) | REVIEW

Não é só Hollywood que tem apostado suas fichas nos quadrinhos. Já tem um bom tempo que o cinema japonês também vem tendo o seu boom de adaptações de mangás e animes para as telonas, como aconteceu com SAMURAI X, cuja trilogia se encontra disponível aqui no Brasil. Takashi Miike (ICHI – O ASSASSINO, OS 13 ASSASSINOS), um dos diretores mais prolíficos e versáteis do cinema local, dirigiu no ano passado o longa TERRAFORMARS – MISSÃO EM MARTE, baseado no mangá de Yu Sasuga e Kenichi Tachibana, que mistura ação, horror e ficção científica.

A trama de TERRAFORMARS se passa em 2599. Os seres humanos, em busca de uma expansão espacial e de um novo lar, decidem preparar uma colonização em Marte. 500 anos antes eles enviaram para o planeta uma espécie modificada de alga e, em seguida, baratas para se alimentarem das tais algas e espalharem a mesma pela superfície. Agora, que o planeta se encontra em condições de ser habitado, um grupo de desajustados – entre eles um serial killer, uma ex-cafetina, uma policial corrupta, um terrorista e dois yakuzas – é enviado ao planeta para eliminar os insetos, em troca do perdão de seus crimes e de uma boa quantia em dinheiro. O que eles não contavam é que com a radiação dos planetas as baratas fossem ficar assim:

Exatamente… Imagine um planeta infestado por baratas com o físico (e a força) do The Rock e a velocidade do The Flash? É essa a pinimba que Ko Honda (Shun Oguri, excelente), o espalhafatoso cientista por trás da operação, manda os infelizes resolverem. Cada um dos tripulantes da nave possui, em seu traje, um soro que é capaz de fundi-los com algum tipo de inseto, dando a eles habilidades especiais que irão ajudá-los a – quem sabe – sobreviver a essa missão suicida. Ao longo do caminho conheceremos melhor sobre as motivações de cada um desses personagens, além de entendermos melhor o que está por trás dessa expedição.

TERRAFORMARS é publicado desde janeiro de 2011 no Japão, contando, atualmente com 21 volumes. Uma das grandes diferenças de se adaptar um mangá de uma comic americana é que o primeiro segue, basicamente, uma mesma trama até o final de sua publicação, sem mudanças na equipe criativa, um enredo fechado que investe, pouco a pouco, na caracterização dos personagens e na evolução da história. Com isso o filme conta com flashbacks, diálogos expositivos, o clássico vilão que conta todo o seu plano maligno para os mocinhos…

Mas, acredite, se você conseguir superar isso, o filme funciona. Bastante, até. Ouso dizer que prefiro este aqui do que algumas destas adaptações multimilionárias que pululam nos cinemas desde 2008! Os atores, notoriamente, estão investidos em seus papeis, as mudanças de tom do filme, que sai do sci-fi, para ação, humor negro e até mesmo um pouquinho de horror, funcionam praticamente sempre. Como não se trata de uma super produção hoollywoodiana, os efeitos visuais muitas vezes deixam a desejar, como numa sequencia onde as baratas se amontoam e formam um “tsunami” contra os heróis. Seria melhor se elas fossem feitas usando efeitos práticos, mas creio que seria muito difícil para o não tão extenso orçamento do filme, se comparado com os blockbusters americanos. Mas que seria bacana ver “homens-insetos” lutando contra dublês vestidos de “homens-barata” como num velho tokusatsu, é incontestável.

O filme é uma adaptação de um mangá seinen – voltado para adultos – então com certeza muito do gore foi deixado de lado. Mas isso não significa que não seja um filme colhudo, com personagens sendo perfurados, despedaçados e esmagados como… baratas. A cena de ação final consegue nos remeter a um clima épico pouco presente em várias produções ocidentais. Admito, até mesmo, que fiquei comovido com o destino de dois personagens do filme. Enfim, longe de ser um filme perfeito, mas é uma equilibrada mistura de sci-fi e ação, que pode surpreender a quem, como eu, não levava tão a sério a trama do filme.

TERRAFORMARS – MISSÃO EM MARTE foi lançado em DVD pela Focus Filmes, e está disponível nas locadoras e nas plataformas digitais.

P.S: Japão, por favor, pare de dar papeis pequenos para Kane Kosugi. Grato.

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