THE ASSIGNMENT (2017), o novo filme de Walter Hill

Assisti ao THE ASSIGNMENT com a maior boa vontade do mundo, com a expectativa de um grande filme. Afinal, o diretor é o veterano Walter Hill, um dos caras mais “cabra-macho” do cinema de ação moderno. Que possui no currículo algumas das obras mais singulares e autorais do gênero dos últimos quarenta anos, como THE DRIVER, WARRIORS, 48 HORAS, EXTREME PREJUDICE, INFERNO VERMELHO e outros tantos  mais. O segundo motivo que me causou boa impressão quando anunciaram o projeto foi a premissa “almodovariana”. THE ASSIGNMENT é sobre um assassino profissional aprisionado por desafetos (Sigourney Weaver, pra ser mais exato) lhe fazem uma cirurgia de mudança de sexo como vingança. Isso mesmo, o cara acorda mulher (Michelle Rodriguez). Agora, além de precisar tomar hormônios femininos e aceitar a nova identidade, o assassino em corpo de mulher declara guerra contra os responsáveis por sua forçada “mudança de time”. E isso é simplesmente genial!

No entanto, a partir deste conceito absurdo e intrigante, THE ASSIGNMENT resulta num autêntico desastre. O roteiro, a montagem, a estrutura do filme, tudo não passa de um amontoado de firulas que só serve para encher linguiça. Idas e vindas no tempo, flashbacks intermináveis e chatíssimos com a personagem da Sigourney Weaver, que acaba tendo muito mais espaço que deveria, painéis que congelam a imagem e se transformam em desenhos que remetem aos quadrinhos, vídeos em primeira pessoa da protagonista “conversando com o espectador”… Demonstra uma tentativa frustrante de Hill em se adequar a uma linguagem contemporânea, e que lá pelas tantas me deu vergonha alheia do produto que um sujeito deste calibre realizou.

E é estranho, porque Hill fez recentemente ALVO DUPLO (Bullet in the Head), com Sylvester Stallone. Embora não seja nenhuma obra-prima, é divertido e comprova que o sujeito estava perfeitamente adaptado aos “novos tempos”, após um hiato de uns dez anos desde seu filme anterior, O IMBATÍVEL, com Wesley Snipes e Ving Rhames.

assigment

Quando THE ASSIGNMENT se preocupa em focar na situação de Rodriguez, em sua jornada de vingança, na sua busca em aceitar a nova identidade, por mais doloroso que seja, o filme ainda consegue criar algum interesse. Mas é justamente a participação de Rodriguez em alguns momentos da trama onde mora o pior de todos os equívocos do filme: É ridículo o fato da própria atriz fazer a sua versão masculina! A maquiagem é tosca e dá a impressão de que estarmos vendo simplesmente a Michelle Rodriguez com barba falsa na cara. Jamais um homem “de verdade”. Ainda mais um perigoso e badass assassino profissional. Há até uma cena em ele aparece nu de corpo inteiro que é um horror, um horror… O filme já perde totalmente sua força a partir daí.

E para quem esperava ao menos ver alguns tiroteios elaborados ou perseguições frenéticas, afinal estamos falando de um filme de Walter Hill, vai sair ainda mais desapontado. Não há nenhuma sequência de ação especial em THE ASSIGNMENT. A “ação” aqui resume-se a Michelle Rodriguez atirando em alguns capangas na surpresa, filmada de maneira preguiçosa, no piloto automático.

É evidente que não vai ser essa bomba que vai tirar o meu respeito pelo Walter Hill. Mas já fico com o pé atrás em qualquer outro projeto que o sujeito se meta daqui pra frente, por mais ousado e interessante que possa parecer.

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