REVIEW: TIGER ON THE BEAT (Le Foo Chut Gang, 1988)

Nos anos 80 , o subgênero de filmes policiais “buddy cops”(parceiros policiais) se tornou bastante popular após o sucesso de filmes como 48 HORAS, de Walter Hill, e MÁQUINA MORTÍFERA, de Richard Donner, dando origem a várias outras produções. A nova tendência não demoraria para chegar ao cinema de Hong Kong e, no ano seguinte foi lançado TIGER ON THE BEAT, do veterano diretor Lau Kar-Leung, batizado por aqui de DOIS TIRAS EM APUROS, e gerou burburinho quando foi exibido na saudosa Sessão Kickboxer, da Band.

TIGER ON THE BEAT conta a história do Sargento Francis Liu (Chow Yun Fa) e do oficial Michael Tso (Conan Lee), que se unem por acaso na caçada a um mafioso tailândes (Gordon Liu), seguindo o rastro de Mary Donna (Nina Li Chi), a irmã de um assassino, Poison Snake Ping (Norman Chu), que trabalha para o mafioso.

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 A receita do subgênero originalmente americano, é seguida à risca por aqui: os policiais tem personalidades opostas e brigam bastante entre si, até virarem bons amigos e parceiros funcionais. A diferença, tão comum ao cinema de Hong Kong, é que tudo é muito mais intenso do que no cinema americano, com o humor sendo bem escrachado e a ação alucinante. É justamente daí que TIGER ON THE BEAT tira seu equilíbrio e singularidade.

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Chow Yun Fat está no auge de sua veia cômica, interpretando um policial atrapalhado, fanfarrão e mulherengo. Logo no começo do filme, ele acorda na cama de uma bela mulher, e ao ouvir seu marido batendo na porta, ele finge que está reanimando-a de um desmaio, numa cena absolutamente impagável. A sequência do assalto à lanchonete em que Chow toma café também é hilariante e antológica, com Chow abusando das caras e bocas, e criando um humor físico notável. A perseguição na passarela, por outro lado é um bom exemplo de como equilibrar ação com humor pastelão, mostrando o vilão tendo seu calção rasgado ao saltar de cima da passarela e exigindo que os policiais, um após o outro, lhe dêem as suas calças, para que não fuja dali com a bunda de fora.

Para os menos acostumados com o humor chinês, porém, o lado cômico do filme pode parecer infantil e exagerado… Mas a verdade é que Chow está muito mais inspirado do que na cena da laranja de ALVO DUPLO 2 por exemplo, em que suas caras e bocas parecem forçadas e fora de lugar. E a sua química com Conan Lee e Nina Li Chi é eficiente e irrepreensível.

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A cena de perseguição no depósito de manilhas é extremamente bem filmada e coreografada e lembra em alguns momentos o duelo de carros do clímax de BALA NA CABEÇA, de John Woo. Aliás, vale dizer que TIGER ON THE BEAT é um dos representantes mais expressivos do subgênero Heroic Bloodshed, que é caracterizado por tramas policiais com tiroteios violentos. No caso do filme em questão, há uma mistura eficaz de artes marciais com tiroteios bem acima da média, e isso atinge seu auge no final , com cenas alucinantes como o Sargento Francis arremessando uma escopeta no ar e dando tiros puxando uma corda enrolada no gatilho, lutando com um dos vilões usando sua escopeta com uma faca na ponta , e culminando no auge do absurdo e da criatividade com um duelo de motoserras entre o oficial Michael e o vilão Fai (Gordon Liu), uma ideia que nunca havia sido usada num filme de ação. Chega a ser inacreditável a coragem dos atores em terem filmado essa cena, uma vez que o duelo foi filmado sem efeitos visuais, com os atores se arriscando a terem partes de seus corpos sendo arrancadas fora!

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Com uma trilha sonora vigorosa, repleta de temas tipicamente oitentistas, TIGER ON THE BEAT é um dos melhores exemplares do cinema dessa década. E com certeza um dos mais criativos. Entretenimento dinâmico, deveria servir de modelo como fusão de comédia com ação, em tempos em que poucos diretores acertam a mão em fundir os dois gêneros. Todo fã de ação e do cinema de Hong Kong deve assistir. Absolutamente obrigatório.

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