Exposição 3 Obás de Xangô inaugura Caixa Cultura no Pelourinho
Três símbolos da cultura baiana serão celebrados na primeira exposição da nova unidade da Caixa Cultural, que passa a funcionar na Rua Saldanha, no Pelourinho, em Salvador.

A exposição “3 Obás de Xangô” mostra a amizade dos baianos, o escritor Jorge Amado e o cantor e compositor Dorival Caymmi, e o pintor e escultor argentino Carybé – naturalizado brasileiro e que fixou morada na Bahia – para propor uma reflexão sobre arte, religiosidade, memória e identidade cultural baiana. O título e a perspectiva da exposição parte da amizade entre os três, que receberam o título de Obás de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá.
Enquanto a relação de Amado e Caymmi com a Bahia foi mostrada através de dezenas de livros e centenas de canções, Hector Julio Páride Bernabó, o Carybé, mesmo com raízes argentinas, foi reconhecido nas artes por retratar com profundidade a cultura afro-brasileira, os rituais do candomblé e o cotidiano popular baiano.
A exposição joga luz justamente sobre o recorte afro-religioso que une a biografia dos três intelectuais e artistas e a partir daí, dá centralidade para a intelectualidade negra que permitiu o surgimento do ministério de Xangô.
A mostra reúne obras, documentos e registros históricos de mais de 45 artistas das artes visuais, da música, da literatura e da fotografia sobre os homenageados e evidencia a centralidade do Candomblé e das lideranças femininas negras na construção do imaginário cultural baiano, ressaltando o papel das mães de santo na preservação, organização e transmissão dos saberes afro-brasileiros.
O percurso da exposição propõe núcleos temáticos que falam sobre o matriarcado nas religiões de matriz africana, os saberes produzidos nas comunidades de axé, a simbologia de Xangô, a amizade entre os três homenageados e as transformações contemporâneas das expressões artísticas afro-brasileiras.
“3 Obás de Xangô” fica em cartaz até 06 de dezembro, com visitação gratuita de terça a domingo e também nos feriados, das 9h às 18h.
O Palacete Saldanha, onde vai funcionar a nova unidade da Caixa Cultural de Salvador tem mais de 7,8 mil metros quadrados e abrigou o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia por mais de 130 anos. A capital baiana já tem uma primeira unidade em funcionamento na Rua Carlos Gomes, no Centro.
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